TODAS as deusas nórdicas do amor e fertilidade (continuação)

Syn – “A Defensora”

Em Fensalir, o palácio celeste de Frigga, Syn era a guardiã das entradas e negava passagem àqueles que não tinham permissão ou merecimento para entrar. Syn, portanto, é considerada a protetora das fronteiras e a defensora dos limites. Seu nome significava “negação” e ela era chamada nas assembléias e nos conselhos para defender aqueles que deveriam negar pedidos ou colocar limites.
Era uma deusa justa, que tudo via e sabia,por isso os povos nórdicos pediam sua presença nas disputas judiciais para assegurar o triunfo da justiça e o cumprimento dos juramentos e das promessas.
Ela se apresenta como uma mulher séria, vestida com uma túnica violeta e com uma tiara nos cabelos; nas mãos, um bastão inscrito com runas, uma chave, um escudo ou uma vassoura de galhos de bétula e sinos.
Elemento: ar.
Animais totêmicos: dragão-do-ar, gavião, falcão.
Cores: branco, azul, violeta, preto.
Árvores: bétula, erva-das-feiticeiras, vetiver.
Plantas: ametista, cristal de rocha, safira.
Metais: prata, ferro.
Data de celebração: 02/06.
Símbolos: porta, portal, entrada, sleira, fechadura, chave, cadeado, escudo, bastão, vassoura de galhos com sinos, galho de árvore com formato da runa Algiz, sinete, talismãs com olhos, balança, promessa, compromisso, aliança, contrato, juramento.
Runas: algiz, dagaz, yr.
Rituais: para a proteção das fronteiras e dos limites; para a defesa do espaço e proibição de aproximações e interferências; para criar e proteger o círculo mágico; para a defesa pessoal e dos bens.
Palavras-chave: negação.

Thordgerd Holgabrud – “A Deusa Flecheira”

Essa deusa já foi considerada, em lendas mais recentes, uma mortal deificada por sua extraordinária habilidade nas artes oraculares e mágicas. Mas Thordgerd era, na verdade, filha de Odin e Huldra, a Senhora das Colinas, líder das ninfas das florestas e protetora dos animais. Thordgerd costumava ser representada como uma mulher bonita, alta e forte, vestida com peles de animais, usando jóias de ouro e cercada de cofres com pedras preciosas. Juntamente com sua irmã Irpa, ela protegia a Islândia, onde as duas recebiam oferendas nos antigos templos de pedra. Thorgerd era uma deusa guerreira que, para defender o povo dos inimigos, lançava flechas mortíferas de cada um de seus dedos. Além disso, ela manipulava as forças da Natureza e era invocada para dar sorte no plantio, na caça e na pesca. Seu culto foi o últimovestígio da antiga tradição das deusas e perdurou até muito tempo depois de a ilha ter sido cristianizada. Para denegri-la, os padres católicos a chamavam de Thordgerd Holga Throll, atribuindo-lhe os poderes maléficos dos troll, seres “sinistros” da Natureza que, na realidade, nada mais eram qu eos gigantes e os gnomos dos antigos mitos, reduzidos a grotescas e aterrorizantes figuras nas interpretações cristãs.
Elemento: terra, água.Animais totêmicos: peixe, gado, animais selvagens.
Cores: verde, marrom.
Árvores: azevinho, espinheiro, pilriteiro.
Plantas: cardo, tojo, verbasco.
Pedras: ágata, esmeralda, cornalina.
Símbolos: flecha, alvo, anzol, garras e peles de animais, plantios, colheitas, pedras preciosas, cofre, jóias de ouro, seres da Natureza, ninfas.
Runas: tiwaz, as, yr, gar, wolsangel.
Rituais: de defesa pessoal e grupal; para atrair a boa sorte; para “abrir os oráculos e proteger as práticas mágicas.
Palavras-chave: sorte.
Thrud – “A Regente do Tempo”

Filha de Sif e Thor, Thrud era conhecida tanto como deusa quanto como Valquíria. Famosa por sua extraordinária beleza, foi admirada e desejada por muito homens; mortais, heróis, deuses e até mesmo gnomos, dos quais um, Alvis, foi petrificado por Thor para que se afastasse de sua filha. O nome Thrud significava “semente” e ela era considerada uma deusa regente do tempo cuja raiva trazia as nuvens escuras de chuva e as tempestades, e o bom humor deixava o céu da cor de seus olhos azuis.
Thrud também era considerada uma padroeira dos curadores, pelo fato de ter sido, ela mesmo, uma curadora, que, em seu aspecto de Valquíria, aliviava o sofrimento dos feridos nos campos de batalha.
Elemento: ar (vento), água, fogo.
Animais totêmicos: pássaros (falcão), cisne, cavalo.
Cores: azul, dourado.Árvores: amieiro, nogueira, sabugueiro.
Plantas: borrage, lavanda, lobélia.
Pedras: topázio, cristal rutilado, quartzo azul.
Símbolos: sementes, vento, nuvens, céu azul, pedras, cristais, ervas e práticas curativas, talismãs em forma de olhos.
Runas: raidho, tiwaz, laguz, dagaz, ac, ul.
Rituais: de cura, encantamentos para mudar o tempo, bênção dos plantios.
Palavras-chave: harmonia.
Valquírias (Valkyrja, Valmeyjar, Valkrjur, Alaisiasae, Idisi) – “As Deusas Guerreiras”
Consideradas assistentes de Odin, as Valquírias eram descritas como jovens bonitas, altas, fortes e guerreiras, que serviam comida e bebida para Odin e para os espíritos dos guerreiros mortos em combate, cuidadosamente escolhidos para compor a guarda pessoal de Odin. Quando não estavam cuidando dos feridos nos campos de batalha ou levando almas para os salões de Valhala, as Valquírias supervisionavam as batalhas de Midgard (o mundo dos homens) e protegiam seus guerreiros favoritos.
No entanto, existe um significado muito mais profundo e antigo na verdadeira natureza e nos reais deveres das Valquírias, cuja simbologia é das mais complexas na mitologia teutônica. Elas não só acompanhavam os espíritos guerreiros mortos, mas escolhiam, antecipadamente, quem iria ganhar ou perder a batalha. Seu nome significava “as que escolhiam os mortos” e, mesmo quando era o próprio Odin que pedia às Valquírias para levarem um determinado herói ao seu salão, nem sempre elas o atendiam. Eram conhecidas como protetoras dos guerreiros por elas escolhidos e discordavam abertamente das ordens de Odin. Mitos mais recentes descrevem a eventual punição e Valquírias rebeldes; porém, os mais antigos relatam que a vontade delas sempre prevalecia.
Quando uma Valquíria escolhia um mortal como seu favorito, ela o protegia sempre, esinando-lhe também as artes mágicas e permanecendo como guardiã por toda a vida. As Valquírias tinham o dom da profecia e, às vezes, mostravam em sonhos ou visões os perigos que os protegidos deveriam evitar. Aqueles que soubessem o nome de uma Valquíria específica poderiam chamá-la, pois ela sempre aparecia, para proteger ou ensinar. Seus nomes eram Brunhilde (malha de aço), Geirahod (flecha), Göll (grito de batalha), Gunnr (luta), Göndul (bastão mágico), Herfjötur (algemas), Hildr (batalha), Hlökk (tumulto), Hrist (terremoto), kara (voragem), Mist (névoa), Randgridr (escudo), Reginleif (herança dinina), Svana (golpe), Rota (turbilhão), skeggjöld (machado de combate), Sigdrifa (raio de vitória), Sigrun (vitória), Radgridr (conselho de paz) e Thrundr (poder). Outras fontes mencionam também Alvtr, Geirabol, Goll, Hladgudr, Herja, Judur, Ölrun, Prudr, Reginleif e Svipul. As líderes eram Gundr, Rota e a Norne Skuld (”a que está sendo”); o grupo podia ser composto de nove, treze ou vinte e sete Valquírias.
Às vezes, as Valquírias podiam aparecer metamorfoseadas em cisnes ou corvos. Consideradas as filhas de Odin com Erda (ou Jord), elas era subordinadas à Freya e às Nornes, assemelhadas à Fylgja e às Disir e atuavam como entidades protetoras. O maior desejo de um iniciado (vitki) era casar-se “com sua Valquíria”, ou seja, alcançá-la consncientemente para poder aprender e ser introduzido nos mistérios por ela.
Os vikings acreditavam que a visão das Valquírias cavalgando seus fogosos corcéis era um espetáculo impressionantes e inesquecível. Vestidas com armaduras e armadas de flechas, espadas e escudos, elas emergiam subitamente das nuvens, em meio aos relâmpagos e trovões provocados por seu galope. Apesar das qualidades guerreiras, elas também eram consideradas deusas da fertilidade, pois o oravalho que umedecia a terra se originava do suor de seus cavalos e a aurora boreal se formava do reflexo da luz em seus escudos.
As Valquírias foram exaustivamente descritas em diversos relatos épicos, poemas e histórias sobre heróis. Uma das Valquírias mais famosas, Brunhilde, foi a heroína da lenda do rei Sigurd. Em vez de cumprir a ordem de Odin e deixar que o rei morresse, ela lhe deu a vitória do combate. Enfurecido com sua desobediência (em especial por se tratar da filha preferida), Odin prendeu Brunhilde a uma muralha de fogo, onde ela ficou adormecida até que Sigurd, montado em seu cavalo mágico, atravessou as chamas e a acordou com um beijo.
Outra Valquíria, Svava, a protetora do herói Helgi quando criança, encarnou como a princesa Sigrun e posteriormente se casou com Helgi, acompanhando-o quando ele morreu. Essa lenda descreve uma crença antiga que considerava as Valquírias espíritos guardiães de algumas famílias, permanecendo ligadas a certos heróis por toda a vida, recebendo sua alma após a morte e encarnando depois, na mesma família, para auxiliar e proteger os descendentes.
Lendas anglo-saxônicas também relatam aparições de figuras femininas sobrenaturais do meio na neblina, que auxiliavam os guerreiros nos combates. Às vezes, elas se revelaam mulheres de extraordinária beleza, tornavam-se amantes dos guerreiros mais valentes e depois desapareciam.
Uma versão mais recente descreve as Valquírias como espíritos femininos ferozes, auxiliares do deus da guerra, que se regozijavam com o derramamento de sangue, reciam teias com as caveiras e entranhas e, metamorfoseadas em abutres, se alimentavam dos cadáveres. Na Idade Média, os escritores românticos transformaram-nas em lindas princesas, que escoltavam os mortos para Valhala e brindavam com hidromel, servido em taças de chifre.
Elemento: ar, água.
Animais totêmicos: cisne, corvo, gavião, cavalo alado.
Cores: branco, prateado, furta-cor.
Árvores: freixo, sorveira, teixo.
Plantas: acônito, cólquito, centáurea.
Metais: ferro, bronze.
Pedras: labradorita, opala, safira.
Data de celebração: 31/01, 16/02.
Símbolos: armadura, escudo, elmo, corrente de metal, objetos de poder, escurdo fluídicos de proteção, aurora boeral, penas de cisne, corvo e gavião, múltiplos de três, talismãs rúnicos de proteção mágica. “A Cavalgada das Valquírias” (música da Wagner).
Runas: algiz, as, calc, ziu.
Rituais: de proteção em situações de perigo; conexão com seu “anjo da guarda”; para vender o medo de morte e auxiliar os espíritos na sua transição; para confeccionar e imantar escudos ou símbolos de proteção.
Palavras-chave: proteção.
Var (Vara, War) – “A Guardiã dos Juramentos”

Seu nome é relacionado às palavras norueguesas varda, “garantir”; varar, “contratos e juramentos”; e vardlokur – “canção de proteção”. Em alemão, wahr significa “verdadeiro”, enquanto que em inglês aware indica “percepção consciente”. Var, portante, representa a deusa nórdica cujas funções eram semelhantes às da grega Héstia (que ouvia todos os juramentos e garantia seu cumprimento) e personalizava o conceito idealizado da verdade e da justiça. Seu título era “A Cautelosa” e ela ensinava prudência e lealdade.
Var testemunha os contratos e os juramentos, principalmente entre homens e mulheres. Ela também pune os transgressores e os perjuros: sua missão á fazer respeitar a verdade. Sua proteção é mais moraldo que física, pois ela zela pela integridade do espírito. Seu poder se manifesta nas palavras que usamos para expressar nossas intenções, decisões, promesses e afirmações, pois a energia dos sons se concretiza no mundo material pelas ações. Ela recomenda cautela ao se assumir qualquer tipo de compromisso, pois sua tarefa é castigar aqueles que traem seus próprios juramentos.
Acreditava-se que Var residia no calor e no brilho das lareiras; era descrita como uma apareição fugaz e luminosa, invocada em todos os acordos e compromissos familiares e tribai. Para atrair sua bênção, eram ofertadas ao fogo guilandas de ervas aromáticas trançadas com fitas, nas quais eram inscritos os compromissos. Para selar o acordo, depois eram entoados cânticos e se brindava com hidromel em chifre de boi.
Elemento: fogo.
Animais totêmicos: águia, dragão do fogo (firewyrm).
Cores: amarelo, laranja, vermelho.
Árvores: macieira, sabugueiro.
Plantas: aromática, hera.
Pedras: cornalina, ágata, citrino, topazio, granada.
Data de celebração: 13/11.
Símbolos: lareira, chama do fogo, aliança, contratos, juramentos, guirlanda de fitas, chifres de boi, hidromel, ervas aromáticas para queimar nas brasas.
Runas: kenaz, gebo, tiwaz, othala, cweorth, ziu.
Rituais: para fazer honrar compromissos e juramentos; para atrair a verdade e a justiça; para assistir os acordos; para fortalecer a união familiar e grupal.
Palavras-chave: lealdade.

Vor (Vör) – “A Deusa da Consciência”

O nome Vor significa “consciência” ou “fé” e essa deusa conhece todos os segredos, pois nada pode ser escondido dela. Vor detém o poder da precognição, a habilidade de descobrir, saber e silenciar sobre as coisas. Ela confere às mulheres a intuição, a capacidade de entender os sinais e de descobrir o que se passa, sem precisar de palavras.
No plano sutil, ela permite a expansão da consciência, sendo guia dos mundos desconhecidos, de tudo o que foi esquecido, reprimido ou que ficou preso no subconsciente, por medo de saber. Vor revela o que é escondido, ensina como interpretar a linguagem simbólica dos sonos e levantar os véus, em estado de meditação ou transe. Ela aparece velada ou vestida com um pesado manto com capuz, que encobre suas feições, podendo, ou não, segurar nas nãos um pergaminho ou o símbolo adequado ao buscador.
Vor é a deusa nórdica que pode ser invocada para o desenvolvimento da intuição e da habilidade de perceber os sinais (e compreender, assim, o que se passa, de fato, na vida das pessoas). Ela auxilia na interpretação dos sonhos e dos oráculos, nas práticas de meditação e de magia seidhr.
Elemento: éter.
Animais totêmicos: coruja, corvo.
Cores: prateado, roxo, preto.
Árvores: sabugueiro, sorveira.
Plantas: artemísia, papoula, verônica.
Pedras: ametista, turmalina, opala.
Data de celebração: 10/02.
Símbolos: véu, poço, gruta, pergaminho, manto, oráculo, espelho negro, bola de cristal, meditação, viagem xamânica, transe, projeção astral, magia, sonhos, visões, presságios.
Runas: ansuz, raidho, peorth, laguz, dagaz, os.
Rituais: para descobrir a verdade, compreender sinais e sonhos e revelar seu verdadeiro significado; para desenvolver a intuição, interpretar oráculos e presságios.
Palavras-chave: conscientização.
Walpurga, Walburga, Waelhirga, Waelbyrga – “A Renovadora”

O nome Walburga é atribuído a uma santa cristã, de origem inglesa, que no século XVIII, na Alemanha, se tornou abadesa de um convento chamado Heidenheim (”lar dos pagãos”). Sua vida não foi marcada por nenhum evento especial; porém, após sua morte, em óleo milagroso começou a brotar de sua lápide e, por ter efeitos curativos, passou a ser recolhido pelos monges e distribuído aos necessitados. A igreja considerou o fato milagroso e Walburga doi canonizada.
Da análise de alguns detalhes, como a atribuição à santa de uma das celebrações da Roda do Ano do calendário teutônico (Walpurgisnacht, equivalente ao Sabbat celta Beltane), pode-se perceber os acréscimos e as distorções cristãs feitas aos antigos arquétipos e comemorações da Deusa.
O óleo começou a brotar no primeiro dia de maio (Majtag), data da antiga celebração pagã da primavera chamada Majfest. A igreja tentou dissociar o óleo da data pagã, mas, como não conseguiu, deu especial ênfase ao aspecto “demoníaco” das festividades realizadas na noite anterior, a chamada Walpurgisnacht (”noite de Walpurga), quando eram acesas fogueiras e realizados rituais de purificação dos resíduos do inverno e de renovação da terra. Apesar de fazer parte do calendário agrícola europeu, reminiscência dos antigos ritos de fertilidade pagãos, Walpurgisnacht foi caracterizada como “noite das bruxas”, na qual elas montavam em suas vassouras e voavam para as orgias realizadas na montanha Broken, na região alemã de Harz, antigo ocal sagrada da Mãe Terra teutônica. A campanha da igreja infundiu nos cristãos o horror a essa noite ao afirmar que todos aqueles que participassem das festas seriam condenados a dançar até morrer e exaustão e seriam depois levados para o “inferno” (reino da deusa Hel) pelos fantasmas da “Caça Selvagem”, conduzida por Wotan (Odin), Frau Gode (Frey), Frau Berchte (Holda).
É difícil saber, com certeza, se Walpurga era realmente o nome de uma deusa teutônica; existem, todavia, inúmeras provas da anterior existência de seu culto. Os nomes Walburga e Waelbyrga significam “colina dos mortos” ou “túmulo dos ancestrais”, enquanto a variante Waldburga significa “protetora das florestas”. A montanha sempre simbolizou a morada das deusas e o refúgio dos ancestrais; várias deusas – como Berchta, Holda e Nehalennia – tanto regiam a vida e a fertilidade, quanto cuidavam e protegiam os espíritos à espera do renascimento.
A incongruência mais relevante é a associação de uma santa cristã a símbolos universias da Deusa. Na lenda Walburga, relata-se que ela tinha sido vista correndo pelos campos, vestida com uma túnica branca com sapatos vermelhos flamejantes, usando uma coroa de ouro sobre seus longos cabelos louros, segurando nas mãos um espelho triangular (que mostrava o futuro), um fuso, três espigas de trigo, e, às vezes, acompanhada por um cão. Outras vezes, ela era perseguida por um bando de cavaleiros brancos e pedia abrigo aos fazendeiros, deixando-lhes em troca, pepitas de ouro. É fácil perceber nessa descrição o antigo mito da deusa da terra, que sobrevoava os campos e trazia prosperidade ou fugia dos rigores do inverno, representados pela “Caça Selvagem”. Os itens mencionados, longe de serem cristãos, fazem parte da simbologia de várias deusas – como as Nornes e Nehalennia (o cão, o fuso e o espelho), Berchta, Frigga e Holda (o fuso, a roupa branca esvoaçante, o espelho), Sif e Nerthus (o trigo).
A antiga comemoração de Walpurgisnacht representava a transição das vicissitudes do inverno (afastadas pelo calor das fogueiras e das danças) para os alegres desfiles de crianças e moças enfeitadas de flores e a bênção dos casais. Existe uma dualidade entre as celebrações noturnas de 30 de abril (com encantamento para afastar o inverno e as tempestades e garantir a fertilidades vegetal, animal e humama) e a leveza primaveril das festas do dia seguinte. Realça-se, assim, a dulpa natureza da Deusa: sombra e luz, morte e vida. Por ser um momento mágico de transição, quando as barreiras entre os mundos tornam-se permeáveis, era possível na noite de Walpurgis “enxergar no escuro”, ou seja, ter visóes, receber presságios ou comunicar-se com o “outro mundo” (dos ancestrais, seres da Natureza e elementais). Às vezes, essa transição do inverno (morte) para a primavera (renascimento) era ritualisticamente encenada, como uma batalha entre o Rei ou a Anciã do inverno (perdedores e em farrapos) e o Rei ou a Rainha de Maio, vencedores e vestidos com folhagens e flores. Enfatizava-se, assim, a energia de renovação, fertilidade, beleza e alegreia dessa data.
O arquétipo de Walburga pertence às deusas da fertilidade da terra e a suas antigas festividades. Mesmo que seu nome original tenha se perdido ou tenha sido esquecido, a lembrança de seus símbolos e atributos foi preservada na interpretação cristã e está sendo resgatada por todos aqueles que, indo além das aparentes contradições e distorções históricas e religiosas, ouvem a verdade do próprio coração.
Elemento: ar, terra, fogo.
Animais totêmicos: cão, lobo, pássaros noturnos, gado (que era passado entre duas fogueiras para purificação).
Cores: branco, verde, amarelo, vermelho.
Árvores: coníferas, tília.
Plantas: linho, trigo.
Pedras: quartzo-verde, rodonita, selenita.
Metais: ouro.
Data de celebração: 30/04 (Walpurgisnacht), primeiro de maio (Majfest).
Símbolos: espelho triangular, fuso, vassoura, sapatos vermelhos, túnica branca, fogueira, espigas de trigo, mastro enfeitado com giurlandas de folhagens, flores e fitas, montanha, óleo terapêutico.
Runas: fehu, kenaz, jera, berkana, dagaz, erda.
Rituais: exorcizar os fantasmas do passado, fogueiras para purificação, encantamentos para fertilidade, bênção da união, danção ao redor do “mastro de maio”, renovação dos compromissos (afetivos, parcerias).
Palavras-chave: purificação e renovação.

Fonte
Faur, Mirella. “Mistérios Nórdicos – Deuses. Runas. Magias. Rituais.” Editora Pensamento 1ª edição/2007.
Esse post foi publicado em Criação, Cultura, Deusa, Deusa da fertilidade, Deusa do amor, Deusas, Feminino, fertilidade, filosofia, Mitologia, Mitologia nórdica, Mulher, sensualidade, sensualidade feminina, sexualidade. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para TODAS as deusas nórdicas do amor e fertilidade (continuação)

  1. Paulo disse:

    muito interessante…

    a “syn” , “var” e a “vor”

    fazem cada vez mais falta… neste momento actual para fazer o equilibrio de forças que neste mundo andam tão desiguais…

    comprimentos com tudo de bom…

    há ..e um sorrisoo pa ti🙂

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s