Íris, deusa grega do arco-íris

Deusa Íris

Em grego, íris quer dizer personificação do arco-íris. Possivelmente a raiz de Íris é o indo-europeu wi, “dobrar”, de onde o latim uiriae, “bracelete”. Íris é a ponte, o traço-de-união entre o Céu e a Terra, entre os deuses e os homens. Comumente é representa com asas e coberta com um véu ligeiro que, ao contato com os raios do sol, toma as cores co arco-íris.

Íris é, como Hermes, a mensageira dos deuses, mas particularmente de Hera e Zeus.

O arco-íris é um símbolo universal do caminho e da mediação entre este mundo e o outro; a ponte de que deuses e heróis se utilizam no seu constante vaivém entre o Céu e a Terra. Na Escandinávia é a ponte Byfrost; no Japão, a ponte flutuante do Céu; a escada de sete cores por onde Buda torna a descer do alto. A mesma idéia se encontra do Irã à África, das Américas à China. No Tibete, o arco-íris não é propriamente a ponte, mas a alma dos soberanos que sobe ao céu. As fitas usadas por determinados Xamãs simbolizam a ascensão dos mesmos à outra vida.

Na china a união das “cinco cores” do arco-íris é a mesma união do yin e do yang, o sinal de harmonia do universo e o símbolo da fecundidade. Se o arco de Çiva é semelhante ao arco-íris, o de Indra é o seu sinal distintivo, uma vez que Indra dispensa à Terra a chuva e o raio, que são os símbolos da atividade celeste. As sete cores do arco-íris no esoterismo islâmico simbolizam a imagem das qualidades divinas refletidas no universo, já que o arco-íris é a imagem inversa do sol sobre um véu inconsistente de chuva. Consoante o budismo tibetano, nuvens e arco-íris configuram o Sambogha-Kâya (corpo de arrebatamento espiritual) e sua dissolução em chuva, o Nirmâna-Kaya (corpo de transformação).

A complexio oppositorum, a reunião dos contrários, é também a re-união das metades separadas, uma re-solução. O arco-íris que surge sobre a Arca de Noé reúne as águas inferiores e superiores, metades do ovo do mundo, como sinal da restauração da ordem cósmica e da gestação de um novo ciclo. No Gênesis 9,12-17 encontra-se explicitamente a materialização de uma grande aliança por meio do arco-íris:

“E Deus disse: Eis o sinal de aliança, que faço entre mim e vós, e com todos os
animais viventes, que estão convosco, por todas as gerações futuras: porei o meu
arco nas nuvens, e ele será o sinal da aliança entre mim e a terra. E, quando eu
tiver coberto o céu de nuvens, o meu arco aparecerá nas nuvens e me lembrarei da
minha aliança convosco e com toda a alma vivente que anima a carne; e não
voltarão as águas do dilúvio a exterminar toda a a carne. E o arco estará nas
nuvens, e eu o verei, e me lembrarei da aliança eterna que foi feita entre Deus
e todas as almas viventes de toda a carne que existe sobre a terra. E Deus disse
a Noé: Este será o sinal da aliança que eu constituí entre mim e toda a carne
sobre a terra.”

A associação Chuva-Arco-Íris fez que em muitas culturas este evocasse a imagem de uma serpente mítica, como Naga, na Ásia oriental. Este simbolismo se encontra também na África e, possivelmente, até mesmo na Grécia, porque o arco, que figura na couraça de Agamêmnon, está representado por três serpentes. Pois bem, tal simbolismo está em conexão com as correntes cósmicas que se desdobram entre o céu e a terra.

Fonte: “Mitologia Grega”. Brandão, Junito de Souza. Editora Vozes, 17ª edição/2002, volume I.
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