Simbologia da Rosa

ROSA
A rosa é considerada símbolo do amor e da mulher amada, por isto representa, praticamente, todas as Deusas do Amor.
Famosa por sua beleza, sua forma e seu perfume, a rosa é a flor simbólica mais empregada no Ocidente. Corresponde, no conjunto, ao que o lótus é na Ásia, um e outro estando muito próximos do símbolo da roda. O aspecto mais geral deste simbolismo floral é o da manifestação, oriunda das águas primordiais, sobre as quais se eleva e desabrocha. Esse aspecto não é, aliás, estranho à Índia, onde a rosa cósmica Triparasundari serve de referência à beleza da Mãe divina. Designa uma perfeição acabada, uma realização sem defeito. Como se vrá, ela simboliza a taça de vida, a alma, o coração, o amor. Pode-se contemplá-la como uma mandala e considerá-la como um centro místico.
A rosa é a flor de maior simbolismo na cultura ocidental. A Rosa é uma flor consagrada a muitas deusas da mitologia. Símbolo de Afrodite e de Vênus (deusa grega e romana do amor). O cristianismo adotou a Rosa como o símbolo de Maria. De acordo com o mito grego, Afrodite quando nasceu das espumas do mar, tal espuma tomou forma de uma rosa branca, assim a rosa branca representa a pureza e a inocência. Conta o mito que quando Afrodite viu Adônis ferido, pairando sobre a morte, a deusa foi socorrê-lo e se picou num espinho e seu sangue coloriu as rosas que lhe eram consagradas. Assim, na Antigüidade as rosas passaram a ser colocadas sobre os túmulos, sendo uma cerimônia chamada pelos antigos de “Rosália”. Todos os anos no mês de maio enfeitam-se os túmulos com rosas.
A Rosa vermelha significa o ápice da paixão, o sangue e a carne. Para os romanos as rosas eram uma criação da Flora (deusa da primavera e das flores), quando uma das ninfas da deusa morreu, Flora a transformou em flor e pediu ajuda para os outros deuses. Apolo deu a vida, Bacus o néctar, Pomona o fruto, as abelhas se atraíram pela flor e quando Cupido atirou suas flechas para espantá-las, se transformaram em espinhos e, assim, segundo o mito diz ter sido criada a Rosa.
A Rosa é, igualmente, consagrada a Isís (com o lótus) que é retratada com uma coroa de rosas. O miolo da Rosa, fechado, fez com que a flor significasse em muitas culturas o símbolo do segredo.
Um costume medieval era de colocar uma Rosa no teto da sala de reuniões indicando que onde houvesse a flor no teto, os assuntos deveriam ser mantidos em segredo. Logo surgiu o costume de pintar rosas no teto das salas e assim levou a decoração de muitas casas de arquitetura clássica.
Na tradição Hindu, a deusa Lakshmi (deusa do amor), nasceu de uma Rosa. Simbolismo da beleza e da pureza, perfeição em todos os sentidos, na idade média a Rosa passou a ser símbolo da virgem Maria por significado de pureza. As rosáceas das catedrais góticas foram dedicadas a Maria como emblema do feminino em oposição à cruz. Os rosários originais eram feitos com pétalas de rosa. A palavra “rosário” deriva do latim “rosarium” que significa roseiral.
Na iconografia cristã, a rosa é ou a taça que recolhe o sangue de Cristo, ou a transfiguração das gotas desse sangue, ou o signo das chagas de Cristo. Um símbolo rosa-cruz apresenta cinco rosas, uma no centro e uma sobre cada um dos braços da cruz. Essas imagens evocam o Graal ou o orvalho celeste da redenção. E, já que citei os Rosa-Cruzes, observe que seu emblema coloca a rosa no centro da Cruz, isto é, no lugar de Jesus. Este símbolo é o mesmo da Rosa Cândida da Divina Comédia, que não pode deixar de evocar a Rosa Mística das litanias cristãs, símbolo da Virgem; talvez também o mesmodo Romance da Rosa. Angelus Silensius faz da rosa a imagem da alma, e ainda a imagem de Cristo, de quem a alma recebe a marca. A rosa de ouro, outrora abençoada pelo Papa no quarto domingo da Quaresma, era um símbolo de poder e de instrução espirituais, mas também, é claro, um símbolo de ressurreição e de imortalidade.
A rosácea gótica e a rosa-dos-ventos marcam a passagem do simbolismo da rosa ao da roda.
É necessário observar o caso particular, na mística muçulmana, de um Saadi de Chiraz, para quem o Jardim das Rosas é o da contemplação: Irei colher as rosas do jardim, mas o perfume da roseira me embriagou. Linguagem que a mística cristã não recusaria de nenhuma maneira, como comentário do Cântico dos Cânticos sobre a rosa de Saron.
Por sua relação com o sangue derramado, a rosa parece ser freqüentemente o símbolo de um renascimento místico: Sobre o campo de batalha em que caíram numerosos heróis, crescem roseiras e roseiras bravas. Rosas e anêmonas saíram do sangue de Adônis, enquanto o jovem deus agonizava.
É preciso dizer, diz Mircea Eliade, que a vida humana se consuma completamente, para esgotar todas as possibilidades de criação ou de manifestação; se vem a ser interrompida bruscamente, por uma morte violenta, tenta prolongar-se sob outra forma: planta, flor, fruta.
As cicatrizes são comparadas a rosas por Abd Uk Kadir Cilani, que atribui a estas rosas um sentido místico.
Segundo F. Portal, a rosa e a cor rosa constituiram um símbolo de regeneração em vrtude do parentesco semântico do latim rosa com ros, a chuva, o orvalho. A rosa e sua cor, diz ele, eram os símbolos do primeiro grau de regeneração e de iiciação aos mistérios… O burro de Apuleiro recupera a forma humana, ao comer a coroa de rosas vermelhas que lhe oferece o supremo sacerdote de Ísis. A roseira, acrescenta este autor, é a imagem do regenerado, assim como o orvalho é o símbolo da regeneração. E a rosa, nos textos sagrados, acompanha com muita freqüência o verde, o que ajuda esta interpretação. Assim, em Eclesiastes (24, 14): Cresci… como as plantas das rosas de Jericó, como uma oliveira magnífica a planície. A oliveira era consagrada a Atena (deusa dos olhos cerúleos) que nasceu em Rhodes, a Ilha das rosas: o que sugere os mistérios da iniciação. E as roseiras eram consagradas a Afrodite, bem como a Atena. A rosa era entre os gregos uma flor branca, mas, quando Adônis, protegido de Afrodite, foi ferido de morte, a deusa correu para socorrê-lo, se picou num espinho, e o sangue coloriu as rosas que lhe eram consagradas.
É este simbolismo de regeneração, vida e amor que faz com que, desde a Antigüidade, se coloquem rosas sobre as tumbas: os antigos… chamavam esta cerimônia e rosalia; todos os anos, no mês de maio, ofereciam aos defuntos arranjos de rosas. E Hécate, deusa dos Infernos, era à vezes representada com a cabeça cingida por uma guirlanda de rosas com cinco folhas. Sabe-se que o número cinco, sucedendo ao quatro, número de realização, marco o início de um novo ciclo.
No século sétimo, segundo Beda, a tumba de Jesus era pintada com uma cor em que se misturavam branco e vermelho. Encontram-se estes dois elementos componentes da cor rosa, o vermelho (paixão, amor) e o branco (pureza), com seu valor simbólico tradicional, em todos os planos, do profano ao sagrado, na diferença atribuída às oferendas de rosas brancas e vermelhas, assim como na junção entre as noções de paixão e de pureza, e entre as de amor transcendente e de sabedoria divina. Nas armas das religiosas, diz o Palácio da Honra, coloca-se uma coroa composta de galhos de roseira branca com suas folhas, suas rosas e seus espinhos, para denotar a castidade que elas conservaram entre os espinhos e as mortificações da vida.
A rosa tornou-se um símbolo do amor e mais ainda do dom do amor, do amor puro… A rosa como flor de amor substitui o lótus egípcio e o narciso grego; não são as rosas frívolas de Catulo… mas as rosas célticas, vivazes e altivas, não desprovidas de espinhos e carregadas de um doce simbolismo: a do Romance das Rosas, que Guillaume de Lorris e Jean de Meung tranformaram no misterioso tabernáculo do Jardim do Amor da Cavalaria, rosa mística das litanias da Virgem, rosas de ouro que os Papas oferecerão às princesas dignas, enfim a imensa flor simbólica que Beatriz mostra a seu fiel amante, quando este chega ao último círculo do paraíso, rosa e osácea ao mesmo tempo.

O amor paradisíaco será comparado por Dante ao centro da rosa: Ao centro de ouro da rosa eterna, que se dilata, de grau em grau, e que exala um perfume de louvor ao sol sempre primaveril, Beatriz me atraiu… (DAC, o Paraíso, canto XXX, 124-127 – canto XXXI, v. 4-22). Aqui pode se notar uma leve alusão que a rosa possa representar a vulva.

Segundo a tradição, cada cor de Rosa tem um significado, já na Alquimia representa o feminino e corresponde ao órgão sexual da mulher. A cruz sendo símbolo masculino deu origem a palavra “Rosa-Cruz”, o primeiro símbolo da ordem Rosa-Cruz.

Branca ou vermelha, a rosa é uma das flores preferidas dos alquimisas, cujos trabalhos se intitulam freqüentemente roseiras dos filósofos. A rosa branca, como o lírio foi ligada à pedra em brano, objetivo da pequena obra, enquanto que a rosa vermelha foi associada à pedra em vermelho, objetivo da grande obra. A maior parte dessas rosas tem sete pétalas, e cada uma dessas pétalas evoca um metal ou uma operação da obra. Uma rosa azul seria o símbolo do impossível.

Inúmeros são os mitos sobre a Rosa, em geral tem o significado do amor, seja espiritual, carnal, virginal. Símbolo da pureza a rosa possui suas propriedades não só simbolicamente, mas é aproveitada na medicina, para perfumes, culinária, entre outros atributos. A Rosa tornou-se simbolismo do amor e, por isso, muitas pessoas têm o hábito de presentear quem ama com a flor do amor.
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