TODAS as deusas nórdicas do amor e fertilidade

Berchta (Bertha, Frau Berchte, Perchta) – “A Senhora Branca”

Nas lendas da Alemanha, Áustria e Suíça encontra-se descrições dessa antiga Deusa que, junto com sua irmã gêmea Holda, foi ridicularizada como a caricatura da bruxa malvada que voava sobre uma vassoura. Enquanto o mito e os atributos de Holda foram preservados em todos os detalhes, Berchta ficou conhecida apenas como a “Mulher Elfo” ou a “Senhora Branca”, que flutuava sobre os campos, coberta com seu manto cinzento de neblina.
Berchta era uma deusa da fertilidade, dos campos, das mulheres, do gado, cujo nome significava “brilhante”. Regia os arados, a tecelagem, a fiação, os fusos e as rodas de fiar. Assim como Holda, Berchta também regia o tempo e trazia a névoa e a neve.
Era representada como uma mulher velha e desleixada, com cabelos bracos desgrenhados, coberta por um manto branco. Seu rosto enrugado, seus olhos se um azul vivo, sendo ora gentil, ora raivosa, quando punia as tecelãs preguiçosas, arranhando-as ou espetando-as com seu fuso.
Berchta regia os “doze dias brancos” que se iniciavam na “noite da Mãe”, em 20 de dezembro, e se encerravam em 31 de dezembro, comemorando com panquecas, leite e mel. Após a cristianização, esse período de repouso e comemoração foi alterado; seu início mudou para a noite e seu final, para a véspera da Epifania (5 de janeiro). Nesse período, ela percorria o mundo em uma carruagem puxada por um bode, sendo proibido o uso de qualquer veículo com rodas ou movimentos giratórios. Acreditava-se que, quando penteava os cabelos, o Sol brilhava e, quano sacudia os travesseiros, a neve cobria a terra.
Em seu aspecto de “Senhora Branca”, Berchta protegia as almas das crianças não-nascidas, que, à espera de renascimento, ajudavam-na a cuidar dos brotos das lavouras e dos jardins, regando-os.
Assim como Holda, Berchta pode ser invocada em rituais para aumentar a fertilidade (vegetal, animal ou humana), para melhorar as condições do tempo, no momento do plantio ou da coljeita e para abençoar qualquer atividae artesanal que utilize lã, linho ou fios.
Alguns autores consideram Berchta a precursora do arquétipo de Papai Noel (versão cristã da lenda e Odin e das experiências xamânicas). Ela representava a face escura da Anciã, do inverno e dos medos que as pessoas sentiam. Mas, ao mesmo tempo, sua comemoração, no solstício de inverno, mostra que ela também trazia na sacola as promessas do aumento da luz e do renascimento da Natureza, mostrando-se uma Mãe Antiga dadivosa.
Elementos: ar, terra, vento, neve.
Animais totêmicos: ganso, aranha, urso, cabra, bode, gado.
Cores: branco, dourado, amarelo.
Ávores: sabugueiro, pinheiro prateado.
Plantas: alfineiro, linho, snow-drop (”pingo-de-neve”, a primeira planta que brota na primavera), quenopódio.
Pedras: calcita, colomita, celestita, astéria (”pedra-estrela”).
Metais: prata, estanho.
Datas de celebração: 11, 20 e 30/12; 5/01.
Símbolos: roda de fiar, fuso, carruagem, berço, travesseiros de penas, fios, pente, vassoura de galhos, sacola, lã, linho, leite, mel, panquecas.
Runas: Peorth, Eihwaz, Berkna, Erda.
Rituais: de fertilidade, para abençoar o plantio e agradecer a colheita; para orientar, inspirar e abençoar os trabalhos de tecelagem e as atividades artesanais com lã, linho ou fios; para melhorar o tempo; para purificar (casas, objetos, pessoas, animais).
Palavra-chave: zelo.

Bil – “A Deusa da Lua”

Bil era a Deusa condutora da carruagem da lua crescente no céu noturno, continuamente perseguida pelo lobo Hati. No final dos tempos, no Ragnarök, o lobo finalmente alcançará a carruagem e engolirá Bil. Segundo as profecias, três deusas estavam destinadas a morrer no Ragnarök e Bil, por su origem, era uma delas. Na verdade, ela tinha sido uma jovem mortal, oprimida e forçada por seu pai a carregar baldes d’água toda noite, junto com o irmão Hjuk. O deus lunar Mani viu o sofrimento das crianças e seqüestrou-as, levando-as consigo para a segurança de seu lar na lua. Odin posteriormente conferiu a Bil o status de Deusa, que recebia diariamente as maçãs da imortalidade oferecidas por Idunna (já comentei mais detalhadamente sobre essa deusa em um post anterior “Deusas do amor e da fertilidade da Mitologia Nórdica”). Os povos nórdicos acreditavam ver as duas crianças desdenhadas no relevo lunar e achavam que o Sol e a Lua eram governados por deusas.
Bil era a Deusa invocada por artista e poetas que lhe pediam inspiração. Aparecia envolta em uma luz prateada e espalhava palavras luminosas.
Elemento: água.
Animais totêmicos: lobo, coruja, lebre.
Cores: branco, prateado, azul-claro.
Pedras: pedra-da-lua, opala, cristal de rocha.
Árvores: bétula, macieira, murta.
Plantas: cinerária, lírio-do-vale, goivo.
Metal: prata.Símbolos: carruagem, disco prateado, crescente lunar, objetos de prata, crianças, balde com água, maçãs, poedias, canções.
Runas: Raidho, Laguz, Berkana.
Rituais: para receber inspiração; harmonizar-se com os ciclos lunares; para ativar a intuição.Palavra-chave: inspiração.

Disir (Hagedises, Idises) – “As Mulheres Sobrenaturais”

Chamadas de “mulheres sobrenaturais”, as Disir eram os espíritos das ancestrais que protegiam seus descendentes, preservando a continuidade da linhagem familiar. Elas consideravam todos os indivíduos a elas ligados por laços de sangue como seus filhos e zelavam por eles, desde o nascimento até a morte. No esntato, nem todas as Disir atuavam de maneira positiva ou facilitavam a vida de seus “filhos”, trazendo circunstãncias adversas e lições necessárias para a evolução. Esses fatos são considerados azares ou infortúnios, mas fazem parte do destino de todas as pessoas. São esses chamados “azares” que às vezes acabam por se transformar em sorte; muitas vezes o que se idealiza como “bom (fazer uma viagem, conseguir um emprego específico, concretizar uma compra ou manter uma relação) nem sempre é para “o bem”.
As Disir são consideradas as Nornes individuais e se encontram presentes em todos os acontecimentos familiares (nascimentos, casamentos, funerais). Ao contrário das Nornes, elas andavam a cavalo e são homenageadas em festividades chamadas Disiblot, com muita comida, bebida, música, história e poemas.
Elementos: terra, ar.
Animal totêmico: cavalo.
Cores: cinza, preto.
Árvores: velhas, cobertas de musgo e líquens.
Plantas: todas que servem para chás.
Pedras: obsidiana, ônix, hematita, pedras furadas naturalmente (hagstones).
Símbolos: fios, teias, retratos de famílias, árvores genealógicas, objetos das ancestrais, lendas, laços de sangue, histórias, poemas.
Runas: Berkana, Othala, Stan, Erda.
Datas de celebração: 01/02 (Disting), 14/10, 31/10 (Disablot, Idisblessing).
Rituais: comemoração das ancestrais; compreensão e aceitação das circunstâncias difíceis da vida; reforço dos laços familiares; ritos de passagem.
Palavra-chave: ancestralidade.

Donzelas-Cisne

O cisne é um arquétipo universal que aparece em vários mitos e simboliza o casamento entre mortais e divindades. As lendas escandinavas descrevem seres aéreos, metade sobrenaturais metade humanos, que têm a capacidade de se manifestar ora como mulheres, ora como cisnes. A metamorfose depende da posse de uma roupagem de penas de cisne, de uma par de asas, de uma coroa, de uma corrente ou anel de ouro. Esse seres sofrem os efeitos de um encantamento que afeta seu relacionamento com seres humanos. Quando retiram o manto de penas ou os outro símbolos mágicos, transformam-se em lindas donzelas. Se algum homem lhe rouba o manto, elas concordam em se casar com ele, desde que faça algum tipo de juramento. Se a promessa não é cumprida, elas recuperam as penas e vão embora para sempre.
Uma outra versão conta como as Donzelas-Cisne tiravam seu manto de penas às margens de lagos tranqüilos para poder nadar e dançar à vontade. Surpreendidas por homens, que depois escondiam seus mantos, elas os seguiam docilmente para que morassem juntos, porém, sempre procurando suas penas, mesmo que fossem felizes e tivessem filhos. Achando o manto, elas o vestiam imediatamente e voavam, sem jamais voltar.
Acredita-se que essa lenda descreva como a dusa da aurora tira sua roupa de neblina e é seduzida pelo deus da vegetação. Quando a deusa se afasta, o verão termina.
Alguns autores equiparam as Donzelas-Cisne às Valquírias, atribuindo-lhes as mesmas características.
Elementos: ar, éter, água, terra.
Animal Totêmico: cisne.
Cores: branco, preto, cinza.
Plantas: aquáticas, junco.
Pedras: cristais com “fantasmas”.
Símbolos: penas, asas, manto, coroa, corrente, anel.
Runas: Gebo, Peorth, Algiz, Laguz.
Rituais: de mudança e transição.
Palavra-chave: transformação.

Donzela das Ondas

Os deuses do mar Aegir e Ran tiveram nove filhas, todas muito bonitas, invocadas e reverenciadas pelos marinheiros que desejavam proteção e orientação nas viagens. Quando as Donzela estavam contentes com as oferendas recebidas, elas demonstravam seu bom humor cantando e brincando na espuma branca das ondas indicando o rumocerto a seguir. Elas também eram as guardiãs do “Moinho do Mundo”, no qual foi triturado o corpo do gigante Ymir para se construir o Universo. Em sua morada no fundo do mar, elas também “moíam” as mudanças das estações, a harmonia universal e a fertilidade da terra.
Sob o nome de Vana Mutter (”As Mães Vana”), com a participação de Odin (de quem eram amantes), geraram, em conjunto, o deus Heimdall. Seus nomes eram Angeyja, Atla, Bygja, Bara, Drafn, Fenya, Hronn, Kolga e Ulfrun – ou outras variantes, conforme os autores, como Eistla, Eyrgjfa, Greip, Himinglaeva, Imdr, Jarnsaxa, Sindur, Unn. A tribo indígena dos sami reverenciava as Saiva-Neidda, “Virgens do Mar”, que tinham as mesmas características e atributos das Donzelas das Ondas.
Elementos: água, ar, vento.
Animais totêmicos: cavalo-marinho e serpente-marinha, cisne, gaivota, borboleta.
Cores: verde, cinza, branco.
Plantas: algas aquáticas.
Pedras: ágata, água-marinha, jaspe, coral.
Símbolos: braco, moinho, roda, canções, ondas, Roda do Ano, viagens marítimas, tempestades.
Runas: Radiho, Algiz, Laguz, Ior.
Rituais: para proteção nas viagens marítimas; para nadar e mergulhar com segurança; celebraççoes das mudanças das estações.
Palavra-chave: movimento ondulante.

Eir (Eira) – “A Curadora Silenciosa”

Eir era uma das doze acompanhantes de Frigga e morava em Lyfja, a Montanha da Cura. Chamada “A Curadora Silenciosa”, ela errava de um lugar para o outro, levando uma sacola cheia de ervas, raízes, sementes e cogumelos, uma faca, um pilão e varetas com inscrições rúnicas. Ela atendia a todos que necessitavam de suas habilidades curativas e lhe pediam ajuda. Suas prátiacs incluíam o uso de purificações, ervas, encantamentos, sons e talismãs rúnicos.
Era cultuada como a padroeira das curandeiras, parteiras, raizeiras e benzeiras; suas devotas foram perseguidas pela Inquisição e pelos médicos, o que levou ao esquecimento das antigas práticas e métodos naturais de cura, cujo resgate cabe às xamãs modernas.
Segundo o mito, Eir nasceu de umas das tetas da vaca primordial Audhumbla e se apresentava como uma mulher séria, mas compassiva e atenciosa. O historiador Snorri Sturluson denominou-a “a melhor das médicas”, e seu nome significa “curar, salvar”.
temida pelos deuses, mas protegida por Frigga, Eir exigia que as pessoas se purificassem antes de atendê-las. As purificações incluíam jejuns, banhos, saunas sagradas, chás depurativos, abstinência sexual, reclusão, sliêncio e oração.
Eir também aparece em um mito como uma das nove companheiras da princesa Megloth, a representação humana da deusa Frigga, que morava no topo da montanha Lyfjaberg, para onde as mulheres iam em busca de cura pra todos os males que as afligiam.
Em um dos textos os Eddas, Mengloth foi descrita como uma importante sacerdotisa, cujos poderes de cura e profecia eram honrados por deuses e mortais. A casa na qual morava seguia a marcha do Sol e em seu jardim havia uma árvore milagrosa que devolvia a fertilidade ás mulheres estéreis e a saúde às doentes. Ela recebia oferendas dos camponeses para lhes garantir saúde e proteção.
Também se chamava Eir uma dasVAlquírias, responsável por mitigar o sofrimento de guerreiros feridos e estancar seus sangramentos com uma pedra mágica.
Elementos: terra, ervas.
Animais totêmicos: rã, sapo, galo, galinha.
Cores: verde, branco.
Árvores: bétula, salgueiro, pinheiro.
Plantas: todas aservas e cogumelos medicinais.
Pedras: ágata musgosa, nefrita, malaquita, jaspe-sangüíneo, brifonite (pedra formada na cabeça de sapos).
Datas de celebração: 06/05.
Símbolos: almofariz, pilão, número nove, montanha, sauna sagrada, banhos e emplastros de ervas, chás de purativos, fontes curativas, jejum, reclusão, silêncio, encantamentos e talismãs rúnicos (que podem ser usados em rituais para a saúde).
Runas: Uruz, Ansuz, Berkana, Laguz, Erda.
Rituais: colheita de ervas, terapias naturais, práias xamânicas, purificações, peregrinações para locais de poder (fontes, grutas, montanhas, florestas, círculos de mnires, pedras rúnicas).
Palavra-chave: cura.

Erce (Erda) – “A Mãe Terra”

Uma antiga e quase esquecida deusa da Terra, Erde simbolizava a fertilidade e a abundância. Para os povos nórdicos, o planeta Terra era todo o Universo, do qual dependia suas vidas e seu sustento. Era em função de seus ciclos que eles viviam e se movimentavam, garantindo assim sua nutrição e proteção. Os antigos reconheciam e honravam tanto a vida quanto a morte, pois era a própria Natureza que lhes ensinava a promessa da regeneração.
Erce representava a Mãe Terra, descrita de forma semelhante a Fjorgyn e reverenciada nos plantios, nas colheitas, na mudança das estações e nos momentos de tansição humana.
Elementos: terra.
Animais totêmicos: gado, cavalo.
Cores: verde, amarelo, marrom, preto.
Árvore: todas.
Plantas: todas.
Pedras: ágata, madeira fossilizada, azeviche.
Metais: todos.
Símbolos: sementes, plantio, colheita, implementos agrícolas, árvores, plantas, Roda do Ano.
Runas: Fehu, Uruz, Jera, Othala, Stan, Erda.
Rituais: para semear, plantar e colher; para centramente e enraizamento; para entrar em sintonia com as energias da Natureza; ritos de passagem; celebrações da Roda do Ano.
Palavra-chave: nutrição

Fjogyn (Jord, Hlodyn, Hertha) – “A Deusa da Terra”

Também uma deusa da terra (Erde, Erda, Jord, Hertha e Hlodyn), Fjorgyn é a personificação da terra primeva, não-cultivada e não-habitada. Filha de Nott (a noite) e Anar (a água), Fjorgyn gerou, com Odin (em sua representação como Jord), Thor e Frigga (manifestada como Fjorgyn). Era cultuada no alto das montanhas e colinas, onde se unia ao céu, imagens que simboliza o mito universal do casamento sagrado da Mãe Terra com o Pai Céu. Considerada a guardiã do sagrado caldeirão do renascimento, era representada cercada de vasos de barro com formas humanas e de cestos de frutas, ou ainda como uma mulher grávida que emerge da terra, do ventre jorrando as águas da vida, os seios e joelhos formando as colinas; e os cabelos, a vegetação. Às vezes aparece segurando um filho e uma filha. Sob os nome de Hlodyn, Hertha ou Erda, essa deusa é conhecida como a protetora do lar, da lareira e da ancestralidade da terra.
Elementos: terra, fogo.
Animais totêmicos: ursa, loba, lebre, corça, vaca, égua, porca.
Cores: marrom, verde, laranja.
Árvore: carvalho, cedro, fruteiras.
Plantas: ervas, raízes e tubérculos comestíveis.
Pedras: madeira petrificada, fósseis, ágata, serpentina.
Símbolos: vasos de barro, argila, cestos com frutas, lareira, caldeirão, montanha, colina, rochas, musgo e bolotas de carvalho, árvores, plantas, sementes, raízes, pedras, lingam e yoni (símbolos masculino e feminino).
Datas de celebração: 01/05 (Maifest), 01/08 (Ernfest, a festa da colheita.)
Runas: Uruz, Kenaz, Berkana, Othala, Erda, Stan.
Rituais: de plantio e de colheita, de proteção e ajuda nas jornadas xamânicas; para atividades e projetos agrícolas, pecuários e ecológicos; rituais de casamento, nascimento, morte; culto dos ancestrais.
Palavra-chave: centramento.

Freya (Frija, Frowe, Frea, Fro, Vanadis, Vanabrudr, Mardöll, Hörn, Syr, Gefn) – “A Senhora”

Farei aqui algumas adições sobre esta grandiosa deusa, que no meu texto anterior, ”Deusas do amor e da fertilidade da Mitologia Nórdica”, não considerei. Mas neste segundo ensaio estou dando uma ênfase à todas as deusas importantes sobre a fertilidade e o amor, então, adicionarei algumas informações sobre a deusa Freya.
Segundo Snorri Sturlurson, Freya era “a mais gloriosa e brilhante” das deusas nórdicas. Alguns autores consideravam Freya e Frigga aspectos de uma mesma Deusa, porém, as diferenças são óbvias. Enquanto Frigga é a padroeira da paz e da vida doméstica protetora da família, Freya é a regente do amor e da guerra, da fertilidade, da magia e da morte. Chamada de “Afrodite nórdica”, Freya era considerada “A Senhora” e seu irmão Frey, “O Senhor”, ambos invocados para atrair a fertilidade da terra e a prosperidade das pessoas.
Filha da deusa da terra Nerthus e do deus do mar Njord, Freya fazia parte das divindades mais antigas, Vanir, e foi cedida junto com o pai e o irmão ao clã dos Aesir, como parte do acordo firmado entre os dois clãs de deuses. Da análise de seu arquétipo, podem ser feitas algumas comparações com deusas de outras culturas e identificadas semelhanças.
Como Perséfone, Freya também se ausentava da terra por alguns meses, causando a queda das folhas e a chegada do inverno.
Da mesma forma que Hécate, Freya ensinou as artes mágicas às mulheres e era a padroeira das magas e das profetisas (völvas e seidhkonas).
Assim como Afrodite, Freya regia o amor e o sexo e teve numerosos amantes (segundo os comentários de Loki, todos os aesir, todos os elfos, quatro gnomos e alguns mortais), sendo considerada adúltera e promíscua pelos historiadores cristãos. Era casada com Odr, mas, em razão de seu desaparecimento por alguns meses do ano, Freya chora lágrimas de âmbar e ouro, procura-o e lamenta sua ausência. As duas deusas são aficionadas por ouro e jóias. Afrodite tem seu cinto mágico, Freyja usa o famoso colar Brisingamen e o nome de suas duas filhas – Hnoss e Gersemi, que significam, respectivamente, tesouro e jóia.
Cibele, em seu mito, era servida por sacerdotes eunucos; os magos nórdicos que usavam as práticas seidhr eram considerados efeminados e vistos com desdém pelos guerreiros que os apelidavam de ergi. Enquanto a carrauagem de Cibele era puaxada por leões, a de Freya já era conduzida por gatos.
também são citadas as deusas celtas Maeve, Morrigan e Macha, pois Freya tanto era guerreira, quanto sedutora, e usava a magia ou a astúcia para atingir seus objetivos. Ao contrário das deusas celtas, que sobrevoavam os campos de batalha metamorfoseadas em corvos, Freya podia assumir a forma de um falcão ou usar um manto feito com suas penas.
Outras deusas correlatas são Anat, Ishtar e Inanna, que têm em comum com Freya os traços guerreiros, a licenciosidade amorosa, as habilidades mágicas e a morte e renascimento (ou retorno) de seus amados).
A escrito Sheena McGrath compra Freya não apenas a essas deusas, mas também a Odin, pois ambos se valiam do sexo para atingir seus propósitos. Ambos são adúlteros e ardilosos, viajam metamorfoseados entre os mundos e recebem as almas dos guerreiros mortos em seus salões.
Freya possuía um colar mágico, Brisingamen, obtido de quatro gnomos ferreiros, em troca do qual ela dormiu uma noite com cada um. Odin, com inveja dos poderes mágicos do colar, enviou Loki para que o roubasse. Ele se transformou em uma pulga e mordeu o pescoço de Freya que, ao se coçar, soltou o colar, permitindo que Loki o roubasse. Para reavê-lo, Freya teve que fazer algumas concessões para Odin com relação à disputa sobre os ganhadores nas batalhas (cada um deles queria a vitória para seus protegidos).
Freya vivia na planície de Folvangr (”campo de batalha”), em um palácio chamado Sessrumnir (”muitos salões”). Diariamente, ela cavalgava, como condutora das Valquírias, e recolhia metade dos guerreiros mortos em combate. Nesse aspecto, seu nome era Val-Freya. Como recompensa por ter iniciado Odin na prática da magia seidhr, Freya podia escolher quais heróis desejava, os demais cabiam a Odin. Ela também recebia as almas das mulheres solteiras.
Como Vanadis, Freya era a regente das Disir, que personificavam aspectos das forças da natureza (sol, chuva, fertilidade, abundância e proteção) e eram as matriarcas ancestrais das tribos, reverenciadas com o festival anial Disirblot, na noite de 31 de outubro.
A escritora Monica Sjöo considera Freya e Frigga deusas gêmeas ou, juntamente com Hel, parte de uma tríade, embora, tivessem atributos totalmente diferentes.
Freya também tinha seu aspecto solar: chamada de “Sol brilhante”, ela chorava lágrimas de ouro e âmbar, que eram também os nomes de seus gatos, chamados por Diana Paxson de Tregul (”ouro da árvore”) e Bygul (”ouro de abelha”). Sua busca por Odr segui a trajetória do Sol, conforme as mudanças de estações, o que também a ligava à terra. Com o nome de Mardal ou Mardöll, Freya era reverenciada como “o brilho dourado que aparece na superfície da água iluminada pelos raios do Sol poente”. Supõe-s que Gullveig (a enigmática giganta que disseminou a cobiça entre os deuses do Aesir) tenha sido um disfarce usado por Freya, enfatizando sua paixão pelo ouro. E foi como a maga Heidhr, “A Brilhante”, que ela ensinou a magia seidhr a Odin.
Outras de suas manifestações são Hörn, “A fiandeira”, regente do linho; Dyr, representada como “A porca”, a protetora dos animais domésticos, e Defn, “A generosa”; mas sempre como “A Senhora”, real significado de seu nome (Frowe, Fru ou Frau).
Atributos: representação da feminilidade, do amor, do erotismo da vida, da prosperidade e do bem-estar. Também era a regente das batalhas, da guerra e da coragem. Era a senhora da magia, a padroeira das profecias e das práticas xamânicas seidhr ouseidr (compostas por transe, necromancia, magia e adivinhação). Suas sacerdotisas eram as völvas e serdhkonas. Freya era a deusa nórdica mais cultuada e conhecida; seu nome deu origem à palavra fru (que significa “mulher que tem o domínio sobre seus bens”), que acabou por se tornar, com o passar do tempo, o equivalente a “mulher”. Renomada pela beleza extraordinária e pelo poder de sedução, ela tinha formas exuberantes e aparecia com os seios desnudos, o manto de penas de falcão nos ombros e inúmeras jóias de ouro e âmbar.
Elementos: fogo, água e terra.
Animais totêmicos: gato, falcão, porca, lince, felinos, cisne, cuc, aves de rapina, doninha, javali (considerado a metamorfose do seu amante Ottar), joaninha (”lady’s bug“).
Cores: dourado, verde, vermelho-escuro.
Árvore: sabugueiro, giesta, maciera, cerejeira, sorveira, tília.
Plantas: avenca, catnip (espécie de valeriana), lady’s slipper (”sapato-de-vênus”), rosa vermelha, lágrimas-de-nossa-senhora, madrágora, verbena.
Pedras: âmbar, olho-de-gato e de falcão, pedra-de-sol, esmeralda, calcopirita. granada, safira, azeviche (chamado de “âmbar negro”).
Metais: ouro, cobre.
Dia da semana: sexta-feira (Freitag ou Friday, dia de Freya).
Datas de celebração: 08/01, 19-30/04, 25/06, 28/08, 15-31/10, 27/12.
Símbolos: o colár mágico Brisingamen, o manto de penas de falcão, as luvas de pele de gato, gnomos, carruagem solar, o ciclo das estações (símbolo da busca por seu marido Odr), jóias (de ouro e âmbar), mel, veludo, linho, seda, formas de coração, caldeirão. as estrelas Vega e Spica.
Runas: Fehu, Kenaz, Wyn, Peorth, Berkana, Laguz, Inguz e Cweorth.
Rituais: de amor, para aumentar a sensibilidade e o poder de sedução; para ativar a intuição e o poder mágico, nas práticas de magia seidhr, no uso do oráculo rúnico, nas iniciações e celebrações femininas, no culto das Disir.
Palavras-chave: poder de sedução, magia.

Frigga (Fricka, Fria, Frice, Frigg, Frijja, Freke, Frau Gode) – “A Amada”

Filha da deusa da terra Fjorgyn e irmã do deus Thor, Frigga herdou da mãe as qualidades telúrdicas e a sabedoria. Frigga, cujo nome signifca “a amada”, era a rainha da divindades celestes e guerreiras Aesir, esposa do seus Odin e mãe dos deuses Baldur, Bragi, Hermod, Hodur e Idunna. Apesar de sua origem telúrgica, era também uma deusa celeste; observada, de seu trono acima das nuvens, tudo o que se passava nos nove mundos e compartilhava suas visões com Odin. Também supervisionava os salões para onde eram levadas as almas dos guerreiros protegidos por Odin. Era considerada um modelo de fidelidade, apesar de ter sido acusada por Loki de ter vivido com os irmãos de Odin, Vili e Vê, durante sua ausência. Alguns autores justificam o modelo de esposa virtuosa representado por Frigga afirmando que esses deuses eram simples aspectos de Odin.
Frigga vivia em seu castelo Fensalir, “os salões dos mares”, com um séquito de 12 deusas, suas auxiliares. Era considerada “A Grande Mãe” nórdica, e a constelação de 12 deusas podia ser vista como a representação de seus aspectos, ou personas, que ela adtoava para desempenhar múltiplos papéis. Essas deusas eram “virgens”, no sentido de auto-suficientes, e também interpretadas como entidades separadas, simbolizando diferentes arquétipos da psique feminina. As acompanhantes de Frigga são Eir, Fulla, Gefjon, Gna, Hlin, Lofn, Saga, Sjofn, snotra, Syn, Var e Vor. Frigga era descrita como uma mulher madura e muito bonita, com longos cabelos prateados trançados com fios de ouro; usava um manto azul bordado e muitas jóias de ouro e pedras preciosas.
Sentada em seu palácio, Frigga tecia com seu fuso de ouro as nuvens e o fio do destino, que ela passava aos cuidados das Nornes. Extremamente inteligente e habilidosa, Frigga tudo sabia, mas nada revelava. Como Freya, ela também amava o ouro (também tinha um colar precioso), usava à vezes um manto de penas de falcão e ficava separada por alguns meses de Odin, que perambulava pelo mundo. Muitas das deusas germânicas, como Berchta, Eostre, Holle, Holda, Huldra, Ostara e Wode (ou Gode), seriam nomes alternativos de Frigga. Assim como as Nornes, as Disir e Freya, ela era invocada nos partos e para a proteção dos bebês, bem como em todos os ritos de passagens femininos.
algumas lendas relatam a competiçãode Frigga com as amantes de Odin (Jord, Rind, Skadhi, as gigantas Gunnlod, Grid e as nove Donzelas das Ondas), tentando reduzir a grandiosidade de seu status ao de uma consorte ciumenta e implicante (réplica nórdica da grega Hera e da romana Juno). Porém, por ter o dom da profecia, como tudo sabia, Frigga acompanhava as aventuras de Odin com condenscendência e tranqüilidade, sem jamais se vingar. É fácil compreender essa atitude considerando-se a igualdade existente entre homens e mulheres nas antigas sociedades nórdicas e na liberdade que caracterizava os relacionamentos, bem diferentes dos pradões greco-romanos. Frigga aconselhava Odin usando sua precognição e sabedoria e, às vezes, agia de forma contrária a ele (favorecendo seus heróis preferidos e dando-lhes a vitória nas batalhas).
Para compreender a multiplicidade dos aspectos de Frigga, o melhor é considerá-la a representação de três estágios da trajetória da mulher e também do ciclo de criação, destruição e renascimento.
No aspecto juvenil, era a deusa da primavera, conhecida pelos anglo-saxões como Eostre ou Ostara, a quem eram ofertados, no equinócio da primavera, flores e ovos coloridos para propiciar a fertilidade e a renovação.
No aspecto maternal, Frigga era padroeira das mulheres de sangue, dos casamentos, da maternidade, da família e do lar. Representava a percepção intuitiva e a sabedoria feminina, a paciência, a tolerância e a perseverança, bem como a prudência e a lealdade.
Sua manifestação guerreira era Val-Fria, a senhora dos campos de batalha, que acompanhava o espírito dos guerreiros a seu local de repouso. Também era a guardiã da fonte do renascimento e unia o espírito dos maridos e das esposas devotadas e leais nos aposentos de seu palácio.
Em sua manifestação como Holda ou Mãe Holle, era a Anciã, a padroeira do tempo, que criava nuvens com o tecido das roupas estendidas para secar. Ela deu o linho como presente à humanidade e ensinou as mulheres a fiarem e tecerem, incentivando as que trabalhavam e castigando as preguiçosas.
Atributos: Rainha do Céu, padroeira dos casamentos, das parcerias, da vida familiar, dos nascimentos, da maternidade, da fidelidade conjugal, das crianças, da agricultura, do lar e das tarefas domésticas, da prepração da comida, das donas de casa, da tecelagem e da terra. Ela tem o conhecimento dos destinos, porém guarda silêncio e não faz profecias.
Elementos: ar, água (névoa, nuvens).
Animais totêmicos: falcão, garça, coruja, ganso selvagem, cegonha, pintassilgo, águia aquática, aranha, carneiro (puxa sua carruagem), caracol, bicho-de-seda.
Cores: cinza-prateado, azul, branco.Árvores: ameixeira, macieira, paineira, nogueira.
Plantas: teixo, cânhamo, hera, linho, rainha-dos-prados, verônica.
Pedras: âmbar, cristal de rocha, caldedônia, calcita, crisólita, safira.
Metais: ouro, cobre.
Dia da semana: sexta-feira (junto com Freya) e quinta-feira (junto com Thor). Nesses dias não se podia fiar, nem tecer. Como chefe das matronas e guardiã das parturientes, das mães e das crianças, Frigga era reverenciada juntamente com a deusa Nerthus, na noite de 24 de dezembro, a assim chamada Modranicht, a “Noite da Mãe”.
Datas de celebração: 11/01, 24/05 (equinócio da primaver do hemisfério norte, lua cheia de maio), 01/08, 24 e 27/12.
Símbolos: fuso (ela fia a matéria-prima que será tecida pelas Nornes), a constelação de Órion (chamada Frigge rocken, “o fuso de Frigga”), a constelação Ursa Menor (”o carro de Frigga”), roca de fiar, tear, chaves, manto (o céu noturno salpicado de estrelas era seu amnto), cinto e colar de ouro, penas de garça (símbolo do conhecimento guardado em silêncio) e de falcão (para seu manto ), nuvens, lá, linho, taça de chifre de boi, chaves da casa.
Runas: Fehu, Ansuz, Eihwaz, Perthro, Berkana, Laguz, Inguz, Ac, Yr.
Rituais: menarca, gravidez, parto, menopausa, busca da visão, contemplação, viagens, astrais, precognição, ritos de passagem, encantamentos com fios.
Palavras-chave: percepção psíquica, silêncio.

Fulla (Volla) – “A Deusa da Plenitude”

Considerada a representação da abundância da terra fértil, Fulla era a acompanhante de Frigga (ou um de seus aspectos) que levava seu cofre com riquezas. Era descrita como uma mulher pálida, jovem, com longos cabelos dourados, presos nas têmporas por uma tiara de ouro. Irmã de Eir, a deusa da cura e padroeira das curandeiras, seu nome equivalia a “cheio, pleno”. Por isso, supôe-se que Fulla representasse a lua cheia, enquanto a deusa lunar Bil regia a lua crescente e a deusa Hel, a lua minguante e negra. Sendo acompanhante de Frigga, ela compartilhava de seus segredos e cuidava de suas coisas. Sob o nome de Abuntia e Haondia, ela sobreviveu na literatura medieval como sinônimo de abundância e “fada das riquezas” (cultuada pelas bruxas).
Fulla é considerada a guardiã dos “Minstérios Femininos”. A mulher pode pedir a ela que, da mesma maneira que abre o cofre de Frigga, ajude-a a ter acesso ao tesouro oculto, revelando todo seu potencial inato. Para invocar o poder de Fulla, eve-se antes refletir sobre o que se deseja descobrir ou revelar e qual a ajuda ou orientação específica que se deseja receber dela.
Elementos: terra, metais.
Animais totêmicos: lebre, esquilo, vaca.
Cores: verde, dourado, prateado.Árvores: frutíferas.
Plantas: jacinto, mil-folhas, rododendro.
Pedras: pedra-da-lua.
Datas de celebração: 06/08, 31/12.
Símbolos: jóias, pedras preciosas, ouro, cofre com moedas cornucópia, lua cheia, potes com mantimentos, vasilhas cheias, colheita, caixa de música, caixa de jóias.
Runas: Feoh, Jera, Peorth, Berkana.
Rituais: para atrair a abundância e realizar sua aspirações materiais materiais; para revelações e orientações; para desenvolver o potencial inato e latente.
Palavras-chave: abundância (interna e externa).

Gefjon – “A Doadora”

Considerada uma deusa da agricultura e associada ao ato de ara a terrak Gefjon era a deusa das dádivas e seu nome significava “a doadora”.
Sua origem é controvertida, considerada ora uma virgem (padroeira das moças que morriam sem casar), ora uma giganta (que conseguiu a ilha nórdica Zeeland por fazer amor com o rei Gylfi), ora um aspecto de Freya no aspecto sexual e no fato de recolher os mortos (Freya, os guerreiros; Gefjon, as solteiras) e possuir um colar de ouro ou âmbar.
Sua discutível virgindade pode ser atribuída a sua funções como guardiã da terra intacta e da soberania. Em sua representação mais conhecida como giganta, teve quatro filhos com um gigante, que depois ela transformou em bois para ajudarem-na a arar a terra ganha do rei Gylfi. Em outro mito, aparece como companheira do deus Heimdall, o guardião da Ponte do Arco-Íris.
Seu simbolismo mais arcaico representa a conquista da terra retirada do mar primordial e o uso mágico dos quatro elementos. Com a ajuda de Gefjon, um simples campo tornava-se uma terra tribal, abençoada pelo casamento sagrado da Deusa (manifestada em uma sacerdotisa) e do rei (como representante do deus dos grãos e, portanto, abundante em colheitas). Era representada como uma mulher bonita e forte que segurava um chicote e arava a terra com seu arado puxado por quatro bois.
Como outras deusas, Gefjon também foi acusada por Loki de ser leviana, pois obteve o colar de ouro dos gnomos em troca de favores sexuais. Loki roubou o colar, posteriormente resgatado por Heimdall (suposto amante de Gefjon). Geralmente esse mito se atribui a Freya, de que Gefjon podia ser um aspecto.
Gefjon pode ser considerada uma Deusa intermediária entre os atributos de Freya e Frigga, cujos poderes proporcionam a todos que a invocam os meios necessários para sua sobrevivência. Ela é a “Deusa Dourada” e sua cornucópia guarda a riqueza interminável dos recursos da terra. Hoje em dia, ela pode ser invocada nas cerimônias de give away, nas beçãos para ativar a fertilidade (da terra, das mulheres ou dos animais, dos projetos e das criações) e para a proteção das mulheres solteiras.
Atributos: determinação para ir além das limitações, vontade para conseguir realizar objetivos, soberania, conquistas, realizações, abundância.
Elementos: terra, bens como a água, o ar e o fogo.
Animais totêmicos: boi, vaca.
Cores: castanho, verde, dourado.
Árvores: frutíferas.
Plantas: cereais, raízes, tubérculos.
Pedras: epídoto, jaspe, ágata, âmbar.
Datas de celebração: 14/02.
Símbolos: cornucópia, sementes, produtos da terra, arado e ferramentas agrícolas, metais, pedras preciosas, expressões da riqueza material e intelectual.
Runas: Fehu, Uruz, Gebo, Othala, Erda.
Rituais: para ativar a fertilidade; para agradecer as dádivas; para garantir e fortalecer as fronteiras, no último rito de passagem (a morte) das mulheres solteiras.
Palavras-chave: conquista.

Gerd (Gerda, Gerdi, Gerth) – “A Deusa Luminosa”

Pertencente à raça dos gigantes, filha de Gymir e Aurboda, Gerd era a deusa da luz que, ao caminhar, deixava um rastro de fagulhas e, quando levantava os braços, irradiava uma luminosidade brilhante sobre o céu, a terra e os mares (alguns autores interpretaram essa luminosidade como a aurora boreal). Frey, ao vê-la apaixonou-se perdidamente e, para pedi-la em casamento, mandou Skirnir, seu auxiliar, como mensageiro, para que lhe oferecesse as maçãs da juventude e o anel mágico Draupnir. Mas Gerd não queria se casar com um deus e recusou. O mensageiro amealou-a, então, com maldições rúnicas que a tornariam doente, feia e devassa. Após nove noites, ela acabou cedendo, mas pediu em troca um cavalo e a espada de Frey (que, por isso, luta no Ragnarök armado apenas com chifres de cervos).
Esse mito pode ser visto como a representação do casamento sagrado entre o deus da fertilidade e a deusa da terra (celebrado, anualmente, como o Sabbat celta Beltane, e as comemorações nórdicas do dia 1º de maio), uma vez que o nome de Gerd significaria “campo”. Mesmo assim, sem respeitar sua vontade. Uma outra interpretação do mito o vê como uma exemplificação do ciclo anual, da transformação da terra congelada, árida pelos rigores do inverno nórdico (simbolizado pelas nove noites), no desabrochar da vegetação na primavera, conquistada pelo vigor do deus da fertilidade. O calor dos rios solares derretei o gelo e permitiu o renascimento da Natureza, da mesma forma que a insistência de Frey derreteu a frieza de Gerd. Antes de casar, Gerd habitava uma casa simples de madeira, cercada de montanhas, de onde saiu para morar em Alfheim, junto com Frey.
Gerd pode ser invocada em situações em que é preciso vencer a oposição ou a resistência, das pessoas ou das circunstâncias, e para ativar os brotos tênues de novos projetos.
Elementos: terra, fogo.
Animais totêmicos: corça, gansa, cabra, andorinha, galinha.
Cores: verde, vermelho, branco.
Árvores: acácia, bordo-dos-campos, macieira.
Plantas: flores do campo, margaridas, prímula.
Pedras: jaspe-verde e sanguíneo, espinélio, peridoto.
Datas de celebração: 22 e 30/04 (Sabbat Beltane, Walpurgisnacht), 01/05 (Maifest).
Símbolos: espada, fagulhas, luz solar, maçã, brotos, guirlanda de flores, aurora boreal, primavera, pulseira e anel de ouro, o número nove.
Runas: Gebo, Wunjo, Ingwaz, Dagaz, Cweorth.
Rituais: de embelezamento, para aumentar a sensualidade e o poder de sedução; para vencer oposições e resistências; para ativar e reforçar projetos.
Palavras-chave: cautela.

Gna – “A Mensageira”

Conhecida como a “Mensageira de Frigga”, Gna representava o poder divino que transcendia todos os mundos. Ela era uma das doze acompanhantes de Frigga e sua tarefa era observar e relatar à deusa tudo o que se passava nos Nove Mundos. Gna observava a terra e o mar, calvagando um corcel alado, e se apresentava como uma mulher forte e radiante. Seu nome era sinônimo de “mulher” e derivava de ganaha, que significava abundância (atributo também de Full, outra das auxiliares ou dos aspectos de Frigga). Outro significado de Gna é “planar, elevar-se ou ascender”, sendo considerada a representação da brisa refrescante.
Seu mito relata como ajudava os casais que queriam ter filhos, levando seus pedidos para Frigga e depois jogando uma maçã no colo do marido, que devia comê-la de maneira ritual, junto com a esposa.
O simbolismo mais sutil de Gna aponta para a liberdade interior que pode ser alcançada por todos aqueçes que se elevam acima das limitações mentais, materiais, existenciais ou conceituais. Ela representa o poder da oração que alcança a Deusa e que resulta em sua ajuda aos pedidos sinceros dos necessitados. É por intermédio de Gna que podemos nos conectar com a Deusa e receber suas mensagens e orientações. Gna simboliza também a viagem e a projeção astral, o desdobramento, a meditação xamânica e o estado de transe.
Para honrá-la, não se deve somente reverenciá-la no refúgio do próprio lar, mas levar suas palavras, imagens e ensinamentos ao mundo, para despertar e ajudar os outros, e assim elevar suas consciências. Se Frigga for colocada no centro do altar ou círculo sagrado, pode-se pedir a Gna que ajude nos deslocamentos e atividades, indo além do hábitat costumeiro, e que ensine a sobrevoar os tumultos da realidade, alcançando vôo para as alturas do espírito.
Elementos: ar, terra, água.
Animais totêmicos: cavalo alado, cuco, cegonha, águia.
Cores: branco, verde, azul.
Árvores: aveleira, macieira, ameixeira.
Plantas: artemísia, cogumelos sagrados papoula.
Pedras: crisopásio, topázio, berilo.
Símbolos: asas, maçãs, tambor, vôo, vento, gravidez, casal, montanha, número nove, viagem (física ou xamânica).
Runas: Raidho, Gebo, Berkana, Ehwaaz, Ac, Os.
Rituais: pedir orientação e ajuda divinas, práticas de oração, meditação, desdobramentos e a expansão da consciência; para favorecer a concepção e a gravidez; proteção nas viagens.
Palavras-chave: oração.

Hlin (Hlyn) – “A Protetora”

Considerada um dos aspectos de Frigga, ou uma de suas acompanhantes, Hlin era a protetora daqueles que corriam perigo. O termo hleinir simbolizava “refúgio” e ela era invocada nas caçadas e também por aqueles que eram perseguidos ou eram fugitivos. Era considerada uma “consoladora”, pois enxugava as lágrimas de sofrimento e de luto.
Sua ação é ativa, ao contrário de Syn, que é apenas defensora. Hlin luta em favor de seus protegidos e empenha-se para livrá-los dos perigos, sua energia é gual à da fêmea que defende ferozmente os filhotes.
Para as mulheres, Hlin torna-se a protetora por excelência, defendendo-as daqueles qe querem se aproveitar de sua vulnerabilidade física ou emocional. JUnto com Vor, ela ativa a percepção sutil das mulheres para que pressintam os perigos, evitando-os ou sabendo como se livrar das armadilhas, das investidas ou dos aproveitadores.
Para invocá-la, a mulher deve praticar visualizações nas quais se vê usando um elmo, uma armadura e um escudo, ou mesmo usando uma arma adequada. Sua lição, portanto, é aprender as táticas de autodefesa psíquica (visualizações, afirmações) ou físicas (artes marciais).
Elementos: terra, fogo.
Animais totêmicos: ursa, leoa, loba, onça.
Cores: preto, roxo, violeta.
Árvores: azevinho, espinheiro-branco, sorveira.
Plantas: arruda, manjericão, sálvia.
Pedras: hematita, ametista, cristal esfumaçado.
Datas de celebração: 31/01.
Símbolos: espada, escudo, elmo, bastão, talismã rúnicos, amuletos de proteção.
Runas: Algiz, Tiwaz, As, Yr, Wolfsangel.
Rituais: de defesa e proteção; para ativar a intuição; visualizações e afirmações para criar e reforçar uma aura protetora.
Palavras-chave: autodefesa.

Hnoss e Gersemi – “As Deusas do Amor”

As duas filhas de Freya, consideradas a continuidade ou aspectos da beleza materna, eram reverenciadas como deusas do amor. Elas, no entanto, representavam também a continuação da vida em todos os planos de existência, revelando aos homens que a beleza da Deusa está presente sempre, em todos os lugares, em todos os momentos, em todos os seres. Hnoss e Gersemi simbolizam a centelha divina que existe dentro de nós, mesmo quando não temos consciência disso.
Hnoss significa “tesouro”; Gersemi significa “jóia”, e a Deusa recebia ricas oferendas para conferir beleza, sexualidade e amor aos seus adoradores. Seu dom era o de despertar amor e aumentar a capacidade de entregar das pessoas.
Elementos: água, fogo.
Animais totêmicos: pomba, gato.
Cores: rosa, vermelho.
Árvores: frutíferas e floridas.
Plantas: genciana, glicínia, ranúnculo, rosa alpina.
Pedras: rodocrosita, rubi, granada.
Símbolos: jóias, tesouros, metais, centelha divina, canções e poemas de amor, hinos à beleza.
Runas: Gebo, Cweorth.
Rituais: para aumentar a capacidade de amar e ser amado; superar o medo de se entregar; encontrar seus “tesouros” interior”.
Palavras-chave: beleza.

Nehelennia (Nehalennia) – “A Protetora dos Viajantes”

Reverenciada como a protetora dos marinheiros e viajntes do mar, Nehelennia pode ser considerada uma versão mais suave de Hel. Era representada acompanhada por cachorros (símgolos do mundo subterrâneo), segurando) um cesto de maçãs (simbolizando a vida e imortalidade) e tendo ao lado a imagem de um barco. Nehelennia era cultuada antigamente em uma ilha perto da Holanda e invocada antes das viagens. Infelizmente, seu culto foi esquecido e muito pouco se sabe a seu respeito, apesar de ser nome ter dado origem a Netherlands, os Países Baixos.
Escavações arqueológicas revelaram centanas de menires e altares com inscrições a ela dedicas, comprovando a permanência de seu culto no litoral do Mar do Norte até os primeiros séculos desta era. Foi encontrado, também na Holanda, um altar intacto, datado do século I A.E.C. e coberto pela areia, com uma estátua de Nehelennia sentada em um trono, segurando uma cesta de maçãs e acompanhada por um cachorro. Nehelennia era invocada pelos marinheirose todos aqueles que viajavam no mar. Mas ela era também uma Deusa da abundância e da plenitude, conforme comprova a cesta com frutas em seu colo.
Elementos: água, terra.
Animais totêmicos: cachorro, cavalo-marinho, gaivota.
Cores: verde, azul.
Árvores: frutíferas.
Plantas: cereais.
Datas de celebração: 06/01.
Pedras: malaquita, turquesa, água-marinha.
Símbolos: maçã, barço, vegetação, cesto, mar, ilha, círculos de menires (chamados hunnebeds)Runas: Raidho, Hagalaz, Laguz, Yr, sendo que as três priemrias podem ser usadas em telismãs de proteção para ciagens no mar.
Rituais: proteção em viagens marítimas; para atrair abundância e melhorar a produtividade.
Palavras-chave: plenitude.

Nerthus – ”A Mãe Terra”

Segundo o historioador romano Tácito, a principal divindade dos povos nórdicos era a Mãe Terra, conhecida por vários nomes (Erce, Erda, Ertha, Fjorgyn, Jörd, Hlodyn ou Nerthus), de acordo com o lugar de seu culto.
Nerthus era a esposa do seu do mar Njörd e mãe dos gêmeos Frey e Freya. Seu nome tem vários significados, principalmente o de “força”; sua morada era uma ilha do Mar do Norte, de onde saía anualmente, coberta por véus, em uma carruagem puxada por bois, para pacificar a terra. Em seus templos eram proibidos o porte de armas e objetos de ferro. Suas benção eram invocadas durante procissões anuais, quando todas as batalhas eram interrompidas e as pessoas comemoravam a paz e a colheita. Uma vez por ano suas estátuas eram retiradas dos templos e levadas, em carruagens cobertas, para serem lavadas no mar. Acreditava-se que os escravos que as banhavam eram mortos depois, pois “ninguém que visse o rosto da Deusa podia sobreviver”.
Elementos: terra, água.
Animais totêmicos: boi, cavalo.
Cores: verde, marrom, preto.
Árvores: frutíferas.
Plantas: cereais, raízes e tubérculos.
Pedras: peridoto, ágata, turmalina.
Metais: todos.
Datas de celebração: 20/12 (Modranicht, “A Noite da Mãe”).
Símbolos: carruagem, arado, véu, mante verde, ilha sagrada, bosque, procissão, colheita, campos de cultivo, prosperidade, comunidade, herança.
Runas: Raidho, Inguz, Othala, Sta, Erda.
Rituais: para pacificar ambietes e pessoas; para abençoar a terra nos plantios e colheitas.
Palavras-chave: paz.

Nott (Nat, Noirun) – “A Senhora da Noite”

Nott era conhecida como a deusa da noite, que percorria o céu noturno em uma carruagem puxada por um cavalo preto chamado “Crina de Gelo” que, ao espumar ou sacudir a crina, formava a geada ou o orvalho. Nott aparecia como uma mulher madura, normalmente de pele escura e trajes pretos. Ela teve três maridos – Naglfari (crepúsculo), Anar (água) e Delling (alvorada) – com os quais teve três filhos: Audir (espaço), Jord (terra) e Dag (dia). A carruagem de Nott era ornada com pedras preciosas, que brilhavam como estrelhas no céu escuro, permanentemente seguida por Dag, que assumia a condução da carruagem pela amanhã, quando a mãe ia repousar.
O significado mais profundo de Nott é sua representação como o ventre primordial do vazio cósmico, à espera da fecundação pelo energia vital.
Devido à cor escura de sua pele (dissonante em uma cultura que valorizava os padrões da raça branca, ariana), Nott pode ser reverenciada atualmente como a proteotra das minorias e dos menos favorecidos pelo destino. Ela ensina a aceitação a todos, indiferentemente de cor, sexo, crença, idade ou posição social, evitando-se a discriminação e os preoconceitos. Nott pode ser considerada uma vó bondosa, que ensina amor e respeito por todas as formas de vida. É por seu intermédio que se mergulha no sono reparador, que proporciona os sonhos ue podem se tornar as sementes de um novo dia, de uma nova realidade.
Na meditação ou visualização, pode-se imaginar a energia de Nott como a de uma manta macia com a qual a mãe ou a avó envolve, afastando com sua presença protetora e seu abraço carinhoso os pesadelos e o medo da “escuridão”.
Nott era invocada pelos poetas e músicos para dar-lhes inspiração e pelos místico e magos para abrir sua visão e ajudá-los a desvendar e compreender os mistérios e os presságios.
Elementos: água, ar.
Animais totêmicos: cavalo, coruja, lebre, dragão do ar e da água, unicórnio, cavalo alado.
Cores: preto, azul escuro.
Árvores: mogno, mogueira, zimbro.
Plantas: anis-estrelado, dama-da-noite, jasmim-estrela.
Pedras: obsidiana, floco de neve, ônix, safira, zircão, diamante.
Metais: prata, estanho.
Datas de celebração: 26/10.
Símbolos: lua, estrelas, noite, carruagem, pedras precriosas, metais, manto, xale, manta de lã, poesias, canções, sonhos, mistérios, rituais e cerimônias mágicas.
Runas: Raidho, Peorth, Yr.
Rituais: para desenvolver o amor universal, demonstrar aceitação e respeito por todos os seres; aprofundar e lembrar os sonhos; para abrir a intuição e a visão.
Palavras-chave: visão, aceitação.

Ran (Rahana) – “A Rainha do Mar”

Deusa nórdica do mar, Ran era também a rainha das ondinas e das sereias, reverenciadas por seu poder mágico e profético e admirada por sua beleza, seu talento musical e o dom de sedução. ela era a protetora das moças e das mulheres solteiras, mas também a padroeira dos afogados , portando, uma deusa da morte.
Ran era descrita como uma mulher forte, com cabelos de algas marinhas e colares de ouro e que segurava, com uma das mãos, o leme do barco, e com a outra, recolhia, em sua rede mágica, os afogados, levando-os depois para seu reino encantado no fundo do mar, para além do redemoinho do Mar do Norte. Se os mortos flevassem ouro consigo, eram tratados com muitas regalias, por isso os marinheiros colocavam sempre pepitas ou moedas de ouro (o ouro era denominado “A chama do mar”) em seus bolsos, antes de viajar, para garantir a boa acolhida nos salões de Ran. Como havia a crença de que os afogados recebiam de Ran a permissão para assistir seus enterros, as famílias acreditavam que, se vissem seus fantasmas no sepultamento, isso significava que eles estavam bem, sob os cuidados da Deusa, em seu palácio, mas faustoso.
O mar, que era chamado de “O caminho de Ran”, tinha um regente masculino também, o deu Aegir, marido de ran, com o qual ela teve nove filhas, as Donzelas das Ondas. Assim como a mãe, as filhas podiam aparecer em forma de sereias, que se aproximavam nos meses frios de inverno das fogueiras dos acampamentos dos pescadores e assumiam corpos e trajes de mulheres para seduzir os homens. Após fazerem amor com eles, as sereias sumiam e os homens adoeciam de tristeza e saudade, definhando até a morte.
Elementos: água.
Animais totêmicos: gaivota, ganso.
Cores: verde, azul, branco, preto.P
lantas: algas marihas.
Pedras: corais, água-marinha, serpentinha, espato azul.
Datas de celebração: 23/07.
Símbolos: barco, rede, ondas, redemoinhos, mares, sereias, moedas de ouro, medo (do mar, das profundezas, do desconhecido), inconsciente (pessoal, coletivo).
Runas: Raidho, Isa, Nauthiz, Peorth, Laguz, Yr, Ior, Ear, calc.
Rituais: proteção nas viagens marítimas, para acalmar as tempestades, diminuir o enjôo, para vender o medo de água; práticas oraculares (vidência na água).
Palavras-chave: profundezas.

Rana Neidda – “A Deusa da Primavera”

Cultuada pelos nativos sami, do extremo norte da escandinávia, Rana Neidda era a personificação do desabrochar da primavera e se manifestava como uma jovem coberta de folhas e flores que conduzia as renas para os lugares ensolarados. Acreditava-se que ela transformava os campos cobertos de neve em pastos verdes, para alimentar as renas e favorecer sua produção. Ela escolhia, principalmente, as colinas voltadas para o Sul, onde apareciam os primeiros brotos. Para obter seus favores, os sami ofereciam-lhe uma roda de fiar ou um fuso coberto de sangue e colocado em seu altar de pedras. O sangue origionariamente era menstrual, substituído depois pelo de algum animal sacrificado.
Elementos: terra.
Animais totêmicos: rena, alce.
Cores: branco, verde, amarelo.
Árvores: álamo, bétula, faia.
Plantas: grama, musgo, snow grop (”pingo-de-neve”, a primeira planta que brota na primavera).
Pedras: pedra-do-sol, calcopita, berilo.
Datas de celebração: 17/04.
Símbolos: roda de fiar, fuso, pedras, brotos, neve, sangue menstrual.
Runas: Isa, Jera, Sowilo, Tiwaz, Berkana, Sol.
Rituais: de menarca e da menopausa; para abençoar novos começos; para proporcionar fertilidade; auxílio nas transações e mudanças.
Palavras-chave: desabrochar.

Rind (Rindr) – “A Deusa da Terra Congelada”

Rind era descrita nas lendas escandinavas como uma linda princesa russa, a quem tinham profetizado a concepão de um filho que, ao se tornar herói, vingaria a morte do eu solar Baldur. Porém, Rind recusava-se a se casar, demonstrando uma glacial indiferença a todos os seus pretendentes. O deus Odin tentou seduzi-la assumindo, primeiro a figura de um soldado, depois, de um hábil artesão, capaz de fazer lindas jóias e, por fim, a de um cavalheiro, mas Rind continuava recusando seus avanços. Finalmente, Odin metamorfoseou -se em uma jovem curandeira, que foi aceita como a camareira da princesa quando esta adoeceu (segundo consta, em razão de um feitiço maligno feito pelo próprio Odin). Ao curá-la, Odin revelou quem ele era e conseguiu, finalmente, derreter o coração congelado da princesa, tornando-a mãe de seu filho Vali, o vingador da morte de Baldur, concedendo-lhe também a condição de Deusa.
Essa lenda é a adaptação cristã de um antigo mito da terra congelada pelos rigores do inverno, personificada por uma giganta, que resistia ao abraço caloroso do Sol, semelhante à história da deusa Gerda. Possivelmente o mito era o mesmo, diferindo apenas os nomes, conforme a localização geográfica dos cultos.
Outras fontes descrevem Rind como uma deusa solar, que saía da sua morada cada manhã e só voltava ao anoitecer, permanecendo isolada até a manhã seguinte, simbolizando, portanto, a abertura quanto o isolamento, tanto o dia quanto a noite.
Elementos: terra, gelo.
Animais totêmicos: urso-polar, loba, foca, andorinha.
Cores: branco, verde.
Árvores: choupo, pinheiro, tuia, amieiro.
Plantas: arnica, bálsamo, sálvia, snow drop (”pingo-de-neve”).
Pedras: calcedônia, calcita, malaquita.
Símbolos: floco de neve, gelo, raios solares, escudo, ervas curativas, jóias.
Runas: Isa, Jera, Hagalaz, Sowilo, Cweorth, Sol.
Rituais: para descongelar (ou esfriar) situações; remover barreiras e obstáculos, abrir (ou fechar) o coração, atrair (ou repelir) pessoas, colaborar ou se isolar.
Palavras-chave: abertura, isolamento.

Saga – “A Mãe da Sabedoria”

Conhecida como “A Deusa Onisciente”, Saga é considerada por alguns autores como um aspecto da deusa Frigga, represetando as memórias do passo. De fato, ela fazia parte da constelação de doze deusas que auxiliava e acompanhava Frigga. Sua genealogia exata é bem desconhecida, tendo sida perdida ou esquecida ao longo dos tempo. Supõe-se que ela tenha pertencido a uma classe de divindades muito antigas, anterior aos Aesir e Vanir, e personificava os registros da passagem do tempo.
Saga era descrita como uma mulher majestosa. Vivia no palácio Sokkvabek, às margens de uma cachoeira, cujas águas frias desapareciam em uma fenda para dentro da terra. Para aquele que a procuravam em busca de inspiração e sabedoria, ela oferecia a água cristalisna do “rio dos tempos e eventos”, em um cálice de ouro. Era para lá que, diariamente, também ia Odin, para trocar histórias e conhecimentos, e ouvir as canções de Saga sobre os tempos antigos.
Saga e segja significam “história, conto, lenda”. Quando a tradição oral dos antigos começou a ser esquecida por causa das perseguições cristãs, algumas pessoas mais instruídas começaram a transcrever as lendas e criaram, assim, os primeiros relatos escritos ou sagas. Essas histórias não eram novas, mas recebiam detalhes ou nuances diferentes, de acordo com quem as redigia. O contador de história era o sögumadr (saga man) , ou a sögykona (saga woman), respectivamente um homem sábio ou uma mulher sábia.
O aruqétipo de Saga é o das contadoras de histórias, das mulheres idosas e sábias que conhecem fatos e dados do passado e que relembrar e preservam as tradições dos antepassados. Invocar Saga ajuda a compreender e relembrar o passado, descobrir e aprender fatos culturais e históricos das culturas antigas e preservar o legado dos nossos ancestrais.
Saga era reverenciada como a padroeira dos poetas, escritores, historiadores, arqueólogos, antropólogos, contadores de histórias e educadores.
Elementos: água, ar.
Animais totêmicos: coruja, salmão.
Cores: transparentes, pátina, prateados, dourados, cinza.
Árvores: antigas, florestas seculares.
Plantas: perenes e sempre-vivas.
Pedras: seixos rolados, madeira petrificada, ágata listada ou com inclusão de musgo, fósseis, estalactitites e estalagmites, cristais arquivistas, âmbar, azeviche, ossos.
Metais: ouro, prata, estanho.
Símbolos: cálice, xale prateadi, pente de prata, tranlas, cachoeira, gruta, manuscrutos, livros de histórias, mapas antigos, penas de escrever, caneta, palavras (escritas ou faladas), poço, nascente, inconsciente coletivo.
Runas: Anguz, Laguz,, Othala, Os, Calc, Erda.
Rituais: para relembrar e reavivar o passado; para preservar, honrar e transmitir o legado dos antepassados; culto dos ancestrais; círculos para ler ou contar histórias.
Palavras-chave: passado, história.

Sif (Sifjar, Síbia) – “A Deusa Dourada”

Conhecida como “A Deusa Dourada”, Sif era uma linda mulher, famosa por sua longa e farta cabeleira loura. Usava roupas simples de camponesa, mas seus cabelos duraos e seu cinto de ouro e pedras preciosas revelavam sua condição divina. Regia a beleza, o amor, a fertilidade, a vegetação e, principalmente, os campos de trigo maduro. Era csada com Thor e com ele gerou Ullr e Thrud. Assim como outras deusas, foi acusada de ser leviana e acúltera por Odin e Loki.
Uma alusãoà sua posível infidelidade é sugerida pelo fato de Loki ter cortado seu cabelos enquanto ela dormia (cortar os cabelos era o castigo infligido às adúlteras), o que leou Sif ao desespero, forçando-a ao isolamento. Mas Thor ficou a seu lado e ameaçou matar Loki se ele não reparasse a maldade. Loki providenciou uma cabeleira de fios de ouro confeccionada pelos gnomos e Sif aceiotu. Loki pode ser visto como o fogo serpentino ou o calor da seca, responsáveis pela destruição das clehitas de verão.
Sif é considerada uma deusa da colheita e acredita-se que, nas noite quentes de verão, quanto Thor e Sif fazem amor, raios caiam sobre os campos e acelerem o amadurecimentos dos grãos. Sif representa, portanto, a riqueza, a colheita, o bem-estar familiar e a paz entre as tribos.
Fontes mais antigas consideram-na parte da raça ancestral dos deuses Vanir e representate de elevados valores sociais e morais, bem como códigos de lealdade e coragem que predominavam na sociedade nórdica. O corte de seus cabelos por Loki seria uma met´fora da conseqüência negativa das intrigas e das calúnias, que levam à discórdia e à destruição.
Elementos: terra, fogo.
Animais totêmicos: cisne (a forma em que Sif se manifesta), corça, lontra, lebre.
Cores: amarelo, dourado.
Árvores: acácia, “chuva-de-ouro”, giesta.
Plantas: cereais, kornblume (uma flor azul que cresce nos trigais), senécio.
Pedras: âmbar, pedra-de-sol, topázio, pirita.
Metal: ouro (chamado de “O cabelo de Sif”).
Datas de celebração: 20/05, solstício de verão (Midsommar, Sabbat Litha).
Símbolos: espigas e campos de trigo, trança, pão, colheita, objetos de ouro, cabelos louros, espelho, enfeites, tudo o que representa a beleza.
Runas: Jera, Sowilo, Berkana, Ingwaz, Ziu, Sol.
Rituais: para atrair bem-estar e paz grupal, incentivar a lealdade e coragem, combater a discórdia e as intrigas; para amadurecer, apressar e agradecer a colheita.
Palavras-chave: colheita.

Sjofn (Siofn) – “A Afetuosa”

Seu nome (que se pronunciosa Chofn) significa “afeição”, mas sua atuação vai além de voltar a mente das mulheres e dos homens para o amor. Seu poder abrange toda a gama de relacionamentos que mantêm a unidade familiar, incluindo o amor por filhos, irmãos, pais, parentes e colaboradores. Pode ser invocada para reavivar ou fortalecer os laços afetivos, cirar ressentimentos e mágoas, apaziguar discórdias e rixas, abrir o coração para perdoar e transmutar lembranças dolorsas.
Para entrar em contat com seus arquétipo, a pessoa deve identificar sua maneira de dar e receber amor e ampliar sua capacidade de compreensão e aceitção dos outros. Sua missão é ensinar a dar e receber amor, pessoal e incondicional, passional e transcendental. Sjofn era também a padroeira das festividades anuais da primavera, quando fogueiras eram acesas nas colinas para aquecer e despertar as sementes de amor e crescimento, humano e vegetal, avivando as esperanças para uma boa união e colheita.
Seu símbolo é um coração de quartzo rosa pendurado em uma corrente de ouro e, no tarô, equivale ao ás de copas.
Elementos: água.
Animais totêmicos: pomba, cisne, lontra.
Cores: rosa, lilás.
Árvores: limeira, magnólia, tília.
Plantas: erva-doce, lilás, rosa alpina.
Pedras: kunzita, quartzo rosa, rosocrosita.
Datas de celebração: 14/02, equinócio da primavera.
Símbolos: cálice, coração, sementes.
Runas: Gefu, Wunjo, Berkana, Cweorth, Calc.
Rituais: para promover a unidade familiar; para aprender a dar amor; para reconcilir e harmonizar casair e parceiros.
Palavras-chave: amor.

Snotra – “A Virtuosa”

Snotra era uma das acompanhantes de Frigga, descrita como uma mulher jovem, vestida com uma túnica branca, de feições e festos delicados e suaves, reservada, de maneiras elegantes e fala mansa.
Seu nome significa “senhora” e ela era sábia e gentil. Em norueguês arcaico, a palavra snotr indicava uma “pessoa sábia ou equilibrada”, enquanto snot designava uma “senhora ou noiva”. O historiador Sturluson a considerava uma protetora das mulheres, a quem ensinava moderação, lealdade, nobreza e sabedoria.
Snotra mostra como superar as dificuldades físicas e sociais nos relacinamentos, pois sempre sabe a atitude certa. Tem uma profunda compreensão da natureza humana e das relações sociais; não somente conhece as regras de comprotamento, mas entende a motivação que as condiciona. Sua energia transmite coragem com nobreza e lealdaed, sem fanfarronice; ela torna as pessoas corretas e as auzilia a terem atitudes adequadas. A missão de Snotra é criar a harmonia grupal, incentivar a nobreza e caráter e as boas maneiras.
para invocar Snotra é preciso fazer uma avaliação séria e crreta das normas e regras necessárias ao bom convívio entre as pessoas. Sem precisar abrir mão de seus reais necessidades, as mulheres podem agir com cortesia, polidez e gentileza, dando assim um exemplo para as outras pessoas e merecendo, de fato, o título de “senhoras”.
Elementos: ar, terra.
Animais totêmicos: falcão, raposa, cisne, abelha.
Cores: branco.
Árvores: ornamentais, madeiras nobres.
Plantas: íris, lavanda, tuberosa, lírio branco.
Pedras: alabastro, mármore, marfim, calcita.
Datas de celebração: 30/09.
Símbolos: balança, estandarte, lenço de linho bordado, cinto, brasão, boas maneiras, trajes de época, retiro, silÇencio, comtemplação, tradição.
Runas: Gebo, Wunjo, Othala.
Rituais: para adquirir sabedoria, no rito de passagem da menopausa (”coroação da mulher sábia”); para agir com discernimento, equilíbrio e responsabilidade; para harmonizar os componentes de grupos.
Palavras-chave: virtude.

Sunna (Sunnu, Sunniva, Sol) – “A Senhora do Sol”

Chamada de “A noiva brilhante do céu” e “Senhora do Sol”, irmã do deus lunar Mani, Sunna carregava o disco solar durante o dia, em uma carruagem de ouro. Horas antes do Sol nascer ela ficava sentada sobre uma rocha e fiava com seu fuso dourado. Sua carruagem era puxada por dois cavalos: “O Madrugador” e “O Poderoso”, sob cujas selas havia sacos com vento para mantê-los frescos. Sunna se apresentava envolta por uma luz dourada cujos raios formavam seus cabelos; ela conduzia sua caruagem e segurava um chicote e um escudo chamado Svalin (frio), para proteger a terra do calor destrutivo. Sunna protegia também os humanos das ações dos gigantes e dos anões malévolos, petrificando-os com seu olhar.
Por acasiões do Ragnarök, ela seá vencida e devorada pelo lobo Skoll, mas, antes de morrer dará à luz uma filha, que no alvorecer do Novo Mundo irá assumir sua missão e seu nome. É possível que sua morte se deva ao fato de ela ter nascido como uma mortal e divinizada por Odin por sua estonteante beleza. Esse fato é semelhante à elevação da moça Bil à condição de deusa lunar, ambas condenadas a morrer no Ragnarök.
Sunna era reverenciada pelos povos nórdicos como a doadora da luz e da vida e, em sua homenagem, muitos menires e círculos de pedras foram erguidos e destinados a seus rituais. Seu símbolo, a roda solar, é encontrado em inúmeras inscrições rupestres.
Elementos: fogo, ar.
Animais totêmicos: cavalo, águia, dragão (do fogo e do ar), lobo.
Cores: amarelo, laranja, vermelho, dourado.
Árvores: acácia “chuva de ouro”, giesta, tília.
Plantas: camomila, dente-de-leão, girassol, hipericão.
Pedras: âmbar, topázio, citrino, pedra-do-sol, diamante.
Metais: ouro.
Dia da semana: domingo.
Datas de celebração: 09/02, 14/05, solstício de verão (Midsommar), 08/07, solstício de inverno (Yule).
Símbolos: carruagem, círculo mágico, círculo de pedras, colar, cristais, dança circular, disco, chicote, escudo, espelho, fogo, fylfotI (suástica), mandala, movimento giratório, objetos dourados, roda solar e sagrada, Sol, solstícios.
Runas: Raidho, Sowilo, Sol.
Rituais: saudação ao Sol, rituais solares, danças circulares e giratórias, práticas de energização e vitalização, preparação da água solarizada, cura com cristais, alinhamentos dos chacras, celebrações dos solstícios com fogueiras.
Palavras-chave: auto-realização.

Fonte
“Mistérios Nórdicos – Deuses. Runas. Magias. Rituais.” da Mirella Faur, Editora Pensamento 1ª edição/2007.

Gente, como ainda tem muito mais deusas do amor e da fertilidade da Mitologia Nórdica, eu vou parar por aqui e vou continuar em um segundo texto, pois este está grande demais. Eu coloquei em cima o link para a segunda parte do texto.
Se alguém quiser saber mais sobre alguma deusa que não estiver aqui, por favor, é só perguntar!!
Abraços, Flávia.

Esse post foi publicado em Criação, Cultura, Deusa, Deusa da fertilidade, Deusa do amor, Deusas, Feminino, fertilidade, filosofia, Mitologia, Mitologia nórdica, Mulher, sensualidade, sensualidade feminina, sexualidade. Bookmark o link permanente.

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