Mitologia Indiana: alguns mitos

Mitologia Indiana: alguns mitos

O subconsciente indiano é um vasto território, com uma enorme população onde se verifica uma rica e colorida mistura de culturas. São muitos os grupos étnicos diferentes que vivem lado a lado. Ao longo da história extensa e tumultuosa da Índia, ela foi invadida e colonizada em numerosas ocasiões, inicialmente pelos arianos, vindos do norte e mais tarde, no século IV A.E.C. por Alexandre O Grande. Seguiram-se as invasões dos muçulmanos, mais tarde os mongóis da Ásia Central e depois a colonização pelos britânicos, que também ajudou a moldar a face da Índia moderna. Todas estas diferentes influências foram incorporadas no tecido da cultura indiana.

Os primeiros escritos religiosos da Índia, Rg Veda (Rig Veda), surgiram no segundo milênio A.E.C. e consiste essencialmente em hinos a uma série de divindades: o deus da guerra, o do fogo e espíritos animísticos do céu, do Sol e da Lua, dos rios e das tempestades, dos animais e das árvores. Os hinos védicos, porém, expressam um espírito de pesquisa filosófica. Depois da composição do Rg Veda surge uma parte significativa de literatura, uma coleção de especulações filosóficas. Esta coleção de escritos, começou por volta de 700 A.E.C., chamava-se Upanishads e continha muitos dos temas que inspiraram os fundadores do Jainismo e do Budismo e forneceu os alicerces religiosos do Hinduísmo.

Ao longo dos séculos, o Hinduísmo, com o seu panteão de deuses e deusas, foi a religião mais difundida na Índia e os seus excitantes romances míticos são como que um espelho da história repleta de acontecimentos desta religião. Na prática, diferentes deuses e deusas desta mitologia tornaram-se o centro de muitos cultos e tradições diferentes que se encontram no Hinduísmo.

O corpo da mitologia Hindu é gigantesco e encontra-se em numerosas religiões e textos literários que recuam a 1200 A.E.C. e que chegam até aos nossos dias. Muita dessa mitologia foi sendo contada pelos narradores nas vilas e aldeias, tendo assim chegado ao conhecimento da maioria da população indiana. A força do Hinduísmo reside na sua diversidade. Ao abarcar todas as classes, todos os intelectos e todas as personalidades torna-se mais que uma religião, estabelecendo os contornos de uma sociedade única, na qual as pessoas com diferentes formações, crenças, estatuto social e educação seguem os seus caminhos individuais, juntas.

Um panteão cheio de deuses e deusas pode ser identificado na mais antiga literatura (Védica), foi sendo ampliado através dos grandes épicos Mahabharata e Ramayana e os textos das lendárias histórias chamadas Puranas. Dos milhões de deuses existentes no panteão, cinco estão de fora: Brahma, Vishnu, Shiva, Ganesha e Parvati, também conhecida como a Deusa Mãe. Os mitos associados aos deuses hindus são, simultaneamente, heróicos e lições de moral. Estes deuses são muitas vezes apenas símbolos das ligações com temas de maior vulto – centrados na criação, preservação e destruição do mundo; tensões dentro das famílias: e na natureza da relação devocional entre deus e um devoto – explorada nas narrativas da mesma forma que os problemas são frequentemente explorados em séries e novelas.

A Índia é o local de nascimento de diversas tradições religiosas. Estas novas religiões adotaram muitas vezes os mitos da criação do Hinduísmo, mas sofreram alterações sociais através das expressões de novas religiosidades, tal como aconteceu com a evolução da cristandade. O Budismo tornou-se numa grande religião mundial; o Jainismo permaneceu em grande medida confinado à Índia, provavelmente devido ao seu extremo ascetismo; e o Xiismo inicialmente esforçou-se por dominar o conflito entre Hinduísmo e Islão. Todas estas religiões se desenvolveram em solo indiano através da atividade de mestres espirituais ou gurus. Numerosos mitos estão associados a estes mestres; muitos estão registrados nos textos sagrados, mas muitos mais mitos contados através da prática das várias religiões indianas.

A peregrinação é uma parte importante da prática religiosa na Índia. Os peregrinos gostam de ouvir contar as histórias dos feitos e adversidade dos seus deuses, sábios e gurus – acontecimentos do passado mítico ou histórico que ocorreram nos locais de peregrinação sagrada. Existem muitos desses locais por toda a Índia, os quais são partilhados por pessoas de diferentes fés e são visitados por peregrinos com tradições espirituais diversas. Os três últimos mitos que irei citar estão ligados a Rewalsar, em Himachal Pradesh, no sopé dos Himalaias, no norte da Índia.

A Agitação do Oceano pela imortalidade

Um mito da criação centra-se na definição dos papéis dos deuses e demônios e distingue-os na base de quem possui o dom da imortalidade e quem está condenado a morrer.

Nos tempos antigos, os deuses e demônios lutaram e quando os demônios morreram, foram ressuscitados graças a uma poção mágica fornecida pelo deus Shiva. Os outros deuses pediram conselho a Brahma, que lhes disse: “Façam a paz com os demônios e agitem o oceano para encontrarem o néctar da imortalidade. Peçam ajuda a Vishnu. Usem o Monte Meru como pau para agitar o oceano e a serpente Vasuki como cordel atado ao pau do agitador.”

Todos os deuses e demônios foram para o oceano e outros pegaram na montanha e rodaram-na durante 100 anos divinos. Os animais e as plantas caíram no oceano, tornando as suas águas mais espessas e produziu-se vinho. As árvores ao esfregarem na montanha provocaram o fogo, que começou a afastar o resto dos animais. O oceano transformou-se em leite e dele foi feita manteiga.

Vários deuses saíram do oceano trazendo muitos objetos preciosos, depois vieram o fogo e as sobras. Como a agitação continuava, foi criado o terrível veneno Kalakuta que envolveu o universo. Este potente veneno ameaçava destruir os deuses e demônios, pelo que Shiva o engoliu, o que fez com que a sua garganta ficasse preta.

Finalmente, Dhanvantari apareceu comum pote de ambrósia, o néctar da imortalidade. Tanto os deuses quanto os demônios gritaram “É minha!” Vishnu adotou a forma de uma mulher chamada “Paixão”, que enfeitiçou os demônios a tal ponto que eles deixaram a ambrósia para os deuses que começaram a bebê-la. Um dos demônios, Rahu, assumiu a forma de um deus e bebeu do pote, mas quando a ambrósia lhe chegou à garganta, Vishnu lançou o disco e cortou-lhe a cabeça, a qual, separada do corpo, subiu ao céu provocando o eclipse do Sol e da Lua.

Após os deuses terem acabado de beber o néctar, Vishnu voltou a ter a sua forma habitual. Deu-se então uma grande batalha por ele ter começado a atacar selvaticamente os demônios. Estes, aterrorizados, fugiram e desapareceram no subsolo e no oceano. Os deuses veneraram a montanha, colocando-a no seu lugar certo e voltaram a casa da forma de nuvens carregadas de água, fazendo soar os céus com os seus gritos trovejantes. O precioso néctar da imortalidade foi dado a Vishnu para o guardar e manter em segurança.

A destruição de Shiva do sacrifício de Daksa

Shiva, muitas vezes chamada de Rudra na mitologia Hindu, está associada à destruição, desconformidade e práticas ascéticas, tudo considerado como sendo, de alguma forma, antagônico em relação à ordem que a criação necessita para sobreviver e tudo leva a crer que estas práticas estarão sempre nos limites de um mundo ordenado. Neste mito, Shiva ameaça o sacrifício de Daksa. Os sacrifícios são sempre identificados com a capacidade de cria e também funcionar como um modelo do mundo ordenado.

Rudra nasceu na ira de Brahma por ser incapaz de criar. Este deu Gauri, como esposa a Rudra, tendo-lhe proibido as práticas ascéticas e instruído para que, em vez delas, criasse o mundo. Rudra recusou e mergulhou nas águas. Brahma levou Gauri de volta e com sua mente criou sete filhos, entre os quais Daksa, para que esta prole criasse. Brahma ofereceu Gauri a Daksa como filha, o que lhe deu grande alegria e o levou a praticar entusiasticamente o sacrifício supremo para grande prazer de Brahma.

Passados 10 mil anos, Rudra saiu da água, desejando criar o universo e os deuses, mas viu que o mundo já tinha sido criado em conseqüência do sacrifício de Daksa. Dominada pela ira, Rudra destruiu com toda a violência o sacrifício de Daksa. Por fim, a pedido dos deuses, acabou por restaurá-lo e foi com Gauri para o local onde morava.

Krishna e Balarãna

Um outro ramo da mitologia, que não se encontrava na literatura antiga, focaliza-se no importante, em termos de devoção, deus Krishna, uma das muitas formas do deus Vishnu. Os mitos Krishna combinam um conjunto de imagens gráficas de palavras, que contem fortes mensagens teológicas e de devoção, que os crentes lêem e escutam. Algumas das histórias mais devocionais desta mitologia centram-se nas travessuras de Krishna em criança e na sua capacidade de disfarçar a sua forma verdadeira pela do mais poderoso deus do universo.

Balarãna e Krishna costumavam brincar na aldeia, rastejando pelos campos e depois voltavam para junto das mães cobertos de lama. Mas elas amavam os filhos e abraçavam-nos e colocavam-nos junto ao peito. Quando eram rapazes, costumavam pregar partidas aos animais da aldeia e, quando Krishna era um pouco mais velho, tornou-se líder de um grupo de jovens que costumavam meter-se em toda espécie de brincadeiras. As mulheres dos criadores de gado terão dito a Yashodha, a mãe de Krishna, que ele tinha andado a desprender as vitelas, a roubar coalhada e leite e a causar constantemente aborrecimentos.

Um dia, os outros rapazes disseram a Yashodha que Krishna tinha comido porcarias, o que ele negou dizendo que lhe olhasse para dentro da boca. Quando ela olhou para dentro da boca aberta viu todo o eterno universo, incluindo o céu e a terra com as suas montanhas, ilhas e oceanos. Viu todo o universo em toda a sua infinita variedade, com todas as formas de vida e tempo, natureza, ações, esperanças, a própria aldeia e até ela mesma. Ficou receosa e confusa, perguntando-se: “Isto é um sonho ou uma ilusão forjada por um deus? O será uma ilusão da minha percepção? Ou será algum portento dos poderes naturais deste rapazinho, meu filho? Vergo-me aos pés de deus, cuja natureza não pode ser imaginada ou compreendida pela mente, pelo coração pelos atos ou pelo discurso; ele, a quem todo este universo é inerente, é impossível abarcar. Deus é meu refúgio.”

Quando a mãe acabou por entender a verdadeira essência, o Senhor Krishna espalhou a sua ilusão mágica na forma de afeto maternal. Instantaneamente, a mãe perdeu a memória do que tinha acabado de ver e o receio e a confusão que tinha sentido, e, com toda a ternura, tomou o filho no regaço.

Ganesha e Sulabha

Ganesha tem sido um dos mais importantes deuses Hindus nos últimos 1000 anos, em grande medida porque ele é o deus responsável pela criação e remoção dos obstáculos. São muitos os mitos que referem os devotos venerando-o por ter afastado obstáculos, enquanto outros referem como o culto involuntário também produz resultados positivos.

Na cidade de Jamba, vivia um guerreiro chamado Sulabha que constantemente cantava hinos de oração ao deus Ganesha. A mulher de Sulabha, Samudra, era virtuosa e muito bela.

Um dia, um pedinte brahmin chamado Madhusudana apareceu e Sulabha fez a vênia mas riu-se do brahmin, que lhe lançou uma praga para que se transformasse num touro a puxar um arado. Samudra rogou uma praga ao brahmin para que este se transformasse em um macaco e este amaldiçoou-a para que fosse uma mulher casta. As pragas tornaram-se realidade e Sulabha, Samudra e o pedinte brahmin mudaram de forma.

Vagueando pela cidade num dia das festividades de Ganesha, Samudra viu um templo em honra do deus. De repente, começou uma tempestade fortíssima e Samudra, aterrorizada, aproximou-se de várias casas da cidade em busca de abrigo, mas todas lhe negaram. Desesperada, encaminhou-se para o templo.

Samudra fez fogo com erva durva para se aquecer. O vento levantou uma erva a arder que, quis o destino, foi cair na cabeça de Ganesha. Ao mesmo tempo, o macaco, cheio de frio e assustado, entrou no templo e o mesmo fez o touro libertado do arado. Os animais comeram a erva da mulher e lutaram perto da imagem de Ganesha. Das suas bocas caíram duas ervas durva no tronco e num pé de Ganesha, o que lhe agradou. Para parar esta agitação, Samudra bateu no macaco e no touro com uma vara e depois começou a orar a Ganesha.

Olhando para os três, Ganesha achou que eles a tinham venerado bem e suficientemente e decidiu enviá-los para o seu céu especial num impressionante veículo voador. Os crentes que estavam no templo viram esta benevolência e ficaram boquiabertos, acreditando que tudo se tinha dado devido ao bom karma.

Alguns dos grandes yogins aproximaram-se dos assessores de Ganesha e perguntaram qual a razão para um fim tão feliz apesar da depravação e do óbvio mau karma dos três deslocados. Os yogins não podiam compreender que toda a sua devoção a Ganesha os não recompensasse. Encolerizados, declararam que iriam parar imediatamente com a sua adoração para que, também eles, pudessem descobrir como chegar à casa de Ganesha.

Hinduísmo: Como Maha-Rishi Lomas se convenceu da existência de Deus

Ficamos a saber pelo Skanda Purana, um texto muito antigo (o mais antigo manuscrito que se conhece de Skanda Purana data do século VIII E.C.), que o nome de um certo lado de montanha é Hridalayesh, o que significa “adobe do lago do senhor”, indicando o seu valor espiritual. Porem, hoje ninguém usa esse nome e o local agora é chamado de Rewalsar.

O mais velho sábio do universo, o grande Rishi Lomas (também conhecido como Maha-Rishi Lomas, sendo que Maha significa “grande”), por causa do poder da sua meditação foi recompensado com uma vida excepcionalmente longa, pelo que apenas um cabelo do seu corpo caiu em cada século (kalpa). Rishi Lomas surge no épico indiano muito conhecido, o Mahabharata.

Rishi Lomas foi meditar sobre o Infinito nas grutas da montanha Brahma-Parvati, de onde viu esse lago maravilhoso, com magníficos gansos, patos e outras aves aquáticas a nadar e emitindo belos sons. Encantadoras donzelas divertiam-se brincando na água. No meio do lado floria um exótico lótus azul. O lado estava rodeado de árvores densas e Rishi Lomas reconheceu que as árvores eram afinal formas de deuses e que as trepadeiras enroladas nelas eram deusas.

Rishi caminhou até ao lago e encontrou um local adequado à meditação na margem ocidental. Controlando todos os seus sentidos, Rishi dedicou as suas práticas de penitência ao Senhor Shiva de quem recebeu ensinamentos especiais, pelo que, na verdade, ele compreendeu a existência de Deus. Por vezes, via o Senhor Shiva e Parvati sentados numa ilha flutuante no meio do lado, desfrutando de jogos divinos. Também testemunhou o Senhor Shiva a navegar no lado sobre uma enorme cobra chamado Sheshnag. O Senhor Shiva deu este lago e sete outros próximos a Rishi Lomas. As ilhas flutuantes do lago recordam aos peregrinos a percepção de Rishi Lomas da existência de Deus e nelas foram colocadas bandeiras como oferendas.

A meditação de Rishi Lomas levou-o a desfrutar da presença dos cinco deuses: Vishnu, Brahma, Ganesha, Shiva e Parvati que residiam todos juntos neste lago, tendo-se encontrado lá e fruído da sua enorme beleza, como se conta em Puranas. Só existe uma única imagem destes cinco deuses juntos no templo do lado, onde também estão várias representações de Brahma-Parvati e Rishi Lomas. É um local extremamente benéfico para os peregrinos, principalmente se derem um mergulho no lago, em dias especiais ligados a Shiva, pois purifica todos os pecados.

Budismo: Como Mandarava, Princesa de Zahor, encontra o seu senhor Vajra, Padmasambhava, e as Origens do Lago Sagrado Lake Tso-Pema

A cidade de Mandi era a capital do antigo reino de Zahor. O rei e a rainha tinham uma filha jovem e muito bela, Mandarava, que criou uma grande fé nos ensinamentos de Buda. Não quis casar com nenhum dos príncipes dos reinos vizinhos, tendo devotado a sua vida à meditação, juntamente com outras 500 mulheres jovens.

Uma noite, Mandarava teve um sonho em que viu Buda, sentado num lótus no arco-íris, que lhe disse para ir, no dia seguinte, a uma colina verdejante que ficava próxima, a fim de receber os ensinamentos. Mandarava, acompanhada pelas outras devotas, seguiu as instruções do sonho e foi à colina que estava coberta por flores com um aroma doce. Padmasambhava, cujo nome significa “Nascida do Lótus”, apareceu perante elas num arco-íris. Todas foram tomadas por uma grande devoção ao vê-lo e ao ouvir os seus sagrados ensinamentos sobre o mantra secreto Vajrayana. Convidaram o Senhor para ir ao convento onde residiam. Em cada dia Padmasambhava instruía-as nos ensinamentos esotéricos. A princesa Mandarava, um ser verdadeiramente espiritual e abençoado, era a primeira discípula, compreendendo muito rapidamente o verdadeiro significado das palavras escolhidas pelo seu guru.

Algum tempo depois, um pastor inútil e preguiçoso cruzou-se com as devotas e o Mestre rejubilando pelos ensinamentos. Prosseguiu o seu caminho para a cidade, espalhando rumores acerca da princesa, dizendo que estava acompanhada de um indivíduo vulgar em vez de estar praticando meditação. Estes rumores chegaram aos ouvidos do rei que ficou furioso, não podendo acreditar que a filha tivesse tal comportamento. Mas os rumores persistiram e quando o rei mandou investigar a situação, não acreditou nos ministros que o informaram de que a filha estava acompanhada por um grande mestre. O rei pensou que algum homem vulgar andaria a fazer a corte à filha e estava cheio de raiva pois tinha recusado os príncipes da vizinhança para que a filha se dedicasse à meditação.

Ordenou então que o homem fosse apanhado e queimado vivo numa pira fúnebre e que Mandarava fosse feita prisioneira. Padmasambhava foi capturado com grande facilidade, levado para a colina relvada que foi incendiada. As chamas ficaram altas e Padmasambhava era visto como um rapazinho de oito anos, sentado num lótus esplendido, rodeado de arco-íris. O fogo continuou a arder durante vários dias. À volta das chamas formou-se um lago de onde se elevou o trono de lótus de Padmasambhava.

Esse lago é Tso-Pema, o Lago do Lótus, chamado de Rewalsar pelos indianos. As nove ilhas flutuantes que nele existem movem-se ao contrário do vento e formaram-se com as cinzas da pira que ardeu tão ferozmente mas sem atingir Padmasambhava. Estas ilhas estão cobertas de verdura e as canas oferecem proteção a muitas aves.

Os ministros do rei ouviram falar desta cena extraordinária e foram investigar. Ficaram então totalmente convencidos de que se tratava do grande Mestre Vajra e passaram a informação ao rei que também foi investigar. Concluiu que tinha cometido um grave erro de julgamento e confessou-se a Padmasambhava implorando-lhe que tomasse o lugar dele como rei e o de mestre espiritual de Zahor. Ele acedeu e usou finas roupas de seca e a coroa que o rei lhe forneceu. Padmasambhava passou, a partir de então, a ser conhecido como Guru Chimé Pema Jungné – o Mestre Imortal Nascido do Lótus.

Mandarava foi solta e tornou-se numa das mais próximas discípulas de Padmasambhava e uma das suas duas principais consortes, tendo praticado mais tarde com o Mestre da Gruta Maratika, no Nepal, onde ambos tiveram a percepção e compreenderam a Prática da Vida Longa.

Agora Tso-Pema é um grande e poderoso local de peregrinação, onde ocorrem budistas de todo o mundo em visita. Existem várias grutas perto do lado onde yogins e yoginis meditam. Os peregrinos também circulam várias vezes em volta do lago dizendo os seus mantras.

Siquismo: A nomeação de Rewalsar, e a Unificação dos Estrados das Colinas

Rewal, o filho do rei Reva, reinava no território de Mandi. Tinha pouco inimigos e o que mais temia era Yaksha, que vivia na floresta escura, Naina Dhar. Yaksha causava-lhe grandes problemas entre os quais tê-lo arrastado para batalhas. Infelizmente, devido ao grande medo que tinha, Rewal acabou por perder o reino para Yaksha. Passou então a ser um mendigo errante e, através da meditação, viveu uma vida longa, andando de um lado para o outro.

O Guru Sique Gobind Singh (1675-1708), o decidido e último guru sique, chegou a Mandi ao mesmo tempo que o Rajá Ajmer Chand do reino de Bilaspur se tinha instalado, o que decorreu durante o século XVII. Nesta época, todos os Rajás dos 22 Estados das Colinas circundantes de Garwhal a Chamba tinham crescido juntos. Temendo a tirania do imperador muçulmano, decidiram ir encontrar-se com o Guru Gobind Singh. Este grande guru formou a comunidade sique, a Khalsa, que era constituída por guerreiros devotos preparados para se unirem e lutarem juntos pela religião hindu contra os muçulmanos. Todos os Rajás dos Estados das Colinas formavam um grupo unido, sob a orientação do Guru Gobind Singh e da Khalsa sique.

Enquanto estava na zona, o Guru Gobind Singh ia caçar na floresta escura Naina Dhar. Rewal, que tinha regressado à região e estava escondido na floresta, pois não podia assistir à coroação por ter perdido o reino, viu o Guru, prostrou-se aos seus pés e implorou-lhe ajuda. Embora tivesse meditado durante longo tempo não obteve quais bênçãos. Ele sabia que isto só acontecia por causa do medo de Yaksha que já durava há muito tempo.

O Guru Gobind Singh, que era um verdadeiro rei, libertou Rewal deste medo ao matar Yaksha, aproveitando para lhe dizer que quando alguém medita com um motivo egoísta, como era o de voltar a ter o seu reino, nunca se recebem bênçãos. Pelo contrário, deve-se sempre meditar no Deus Intemporal sem ser movido por motivos egoístas. Só desta forma é que as pessoas podem obter a salvação. Rewal pôde então dominar todas as suas ligações e medos terrenos e atingir a verdadeira compreensão.

O belo lago, para lá da floresta escura, é agora chamado de Rewalsar. Trata-se de um lugar especial e os que ali se deslocarem em peregrinação purificarão todos os pecados. Em épocas conturbadas, quando toda a terra está inundada, os siques crêem que este lugar sagrado de Rewalsar será um porto seguro para todos eles.
Curiosidade: Onde Jesus Cristo morreu?

Em Caxemira, nos Himalaias a noroeste da Índia, muitas história sobre Jesus de Nazaré referem que ele não morreu na cruz e que, embora tivesse sido ferido horrivelmente, recuperou-se. Existem algumas evidências que suportam esta tradição. Diz-se que Jesus terá fugido da Palestina com a mãe, Maria, e que terá viajado a pé através de vários países de Este, e que foi pregando à medida que se deslocava.

Maria morreu no Paquistão. A pequena aldeia chama-se hoje Murree e lá se encontra o túmulo antigo conhecido localmente por “o local de descanso da mãe Maria”. Jesus continuou o seu caminho para Caxemira. Prosseguiu com a pregação das parábolas, tendo morrido com a idade de 82 anos. Em Khanivar, uma das zonas mais antigas de Srinagar; a capital de Caxemira, existe um túmulo simples que a tradição local crê que contém o corpo de Jesus.

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